Céline Aemisegger Washington, 14 jul (EFE).- O plano de resgate idealizado para salvar duas gigantes hipotecárias americanas, Fannie Mae e Freddie Mac, é o último esforço do Governo dos Estados Unidos para recuperar a estabilidade de um mercado que ameaça provocar um colapso.

Apesar disso, ainda fica no ar a pergunta sobre a conveniência de uma intervenção estatal.

A manobra do Executivo, anunciada no domingo, foi feita em dois dias cheios de cansativas reuniões e consultas por parte do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e do Departamento do Tesouro do país a bancos de investimento de Wall Street e legisladores do Capitólio.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, quis perceber o grau de nervosismo dos bancos de investimento sobre a delicada situação da Freddie Mac e da Fannie Mae, e averiguar se as entidades financeiras participariam do leilão de US$ 3 bilhões em dívida a curto prazo organizado pela primeira instituição para hoje.

A resposta foi variada, segundo fontes ligadas às conversas, mas as bolsas de Nova York reagiram com altas e os títulos dessas duas empresas se recuperaram das fortes quedas registradas nos últimos pregões.

O plano de resgate do Governo prevê o aumento temporário da linha de crédito que as duas companhias têm com o Departamento do Tesouro e aquisição, em última instância, de ações destas empresas.

O atual montante de créditos disponível para as duas sociedades é de cerca de US$ 2,250 bilhões, valor fixado pelo Congresso americano há quase 40 anos.

A quantidade de que ambas as firmas vão dispor ainda será determinada, mas funcionários a par dos termos disseram que o Congresso deveria autorizar cerca de US$ 300 bilhões.

A Fannie Mae tem uma dívida de US$ 800 bilhões, enquanto a da Freddie Mac chega a US$ 740 bilhões.

As duas empresas garantiram hipotecas no valor de US$ 5,3 trilhões, quase a metade do mercado, pelo que o Governo não pode permitir que ocorra um colapso em suas operações.

O Fed, por sua vez, autorizou o banco da autoridade monetária em Nova York a proporcionar capital às duas empresas, em caso de emergência.

Definitivamente, terão acesso ao guichê de desconto do banco, até agora reservado para as instituições comerciais e de investimento, para conseguir financiamento a curto prazo.

O movimento do Governo reforçou a idéia de que os investidores podem contar com a Administração para tirá-los de uma crise, algo que Paulson e o presidente do Fed, Ben Bernanke, quiseram evitar com todos os meios.

A pergunta sobre se o Executivo deveria auxiliar no resgate de empresas com turbulências financeiras foi feita pela primeira vez quando o Governo interveio para tentar salvar o banco de investimento Bear Stearns, que acabou sendo comprado pela JPMorgan Chase. Entretanto, agora, as críticas aumentaram.

As duas companhias foram criadas pelo Congresso dos EUA para manter e aumentar a liquidez do mercado hipotecário, mas são controladas por acionistas.

O que está claro é que o Governo não pode permitir uma crise financeira em nenhuma das duas firmas.

Com os preços dos imóveis descendo e o número recorde de execuções de hipotecas, o Governo e o Congresso dependem da Fannie Mae e da Freddie Mac mais do que nunca.

Caso uma delas entre em colapso, possibilidade que pareceu real na semana passada quando suas ações caíram quase 50%, seria um duro revés para o mercado hipotecário e imobiliário e colocaria em perigo toda a economia americana.

O presidente e executivo-chefe da Fannie Mae, Daniel Mudd, elogiou o anúncio do Governo, ao afirmar que dadas as turbulências do mercado, as opções para ter acesso a fundos provisórios "ajudarão a fortalecer a confiança neste".

No entanto, Mudd declarou que a empresa conta com "um acesso mais que adequado à liquidez" procedente dos mercados de capitais.

O principal responsável da Freddie Mac, Richard Syron, disse, por sua vez, que a ação do Governo garante aos mercados mundiais que as duas companhias "continuarão apoiando os compradores de imóveis e inquilinos americanos".

A Fannie Mae, criada em 1938 como parte do New Deal que tirou os EUA da Grande Depressão, e a Freddie Mac adquirem hipotecas dos bancos e de outras pessoas que fazem empréstimos privados e as combinam em pacotes de investimento, o que aumenta a liquidez do mercado hipotecário. EFE cae/rb/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.