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EUA estuda intervir em bancos para liberar crédito e dar confiança ao mercado

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 9 out (EFE).- O Governo dos Estados Unidos estuda hoje uma nova medida de intervenção para desbloquear os créditos e dar confiança aos investidores, o que transformaria o Estado em acionista de algumas das entidades financeiras em crise.

A medida estudada pelo Governo, similar a outras adotadas na Europa, consistiria em injetar capital público no conjunto de ações de alguns bancos, valendo-se da autoridade dada pelo Congresso quando o plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões foi aprovado, explicou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Para todos os analistas, a medida, como aconteceu com a nacionalização da seguradora AIG ou com o próprio pacote de resgate, vai contra o espírito de livre mercado presente nos oito anos de mandato de George W. Bush.

Hoje, Perino justificou a intervenção com o argumento de que a crise financeira é tão forte, que o Executivo se viu obrigado a tomar decisões "radicais, agressivas e audazes" que não "fazem parte de seus instintos naturais".

"Quando ficou evidente que a crise financeira afetaria todos os americanos, seja rico ou pobre, o presidente decidiu que seria importante o Governo realizar uma ação contundente", explicou.

"Quando se propôs a medida, o instinto natural do presidente foi pedir que o Governo não fosse envolvido", completou.

No entanto, Bush deu seu sinal verde ao constatar que a crise está afetando a todos, "não só apenas executivos de Wall Street".

Embora não se saiba detalhes sobre a medida, que dependerá do Departamento do Tesouro, a porta-voz esclareceu que o investimento do Estado será para entrar no capital das instituições, mas sem assumir a gestão destas.

Já ontem, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, se referiu a esta medida, ainda que de maneira enigmática, ao antecipar que o próximo passo do Governo poderia ser injetar recursos no capital social das instituições financeiras.

"A política do Governo é usar todos os recursos disponíveis para fortalecer nosso sistema financeiro. Usaremos todas as ferramentas em nossas mãos para ser mais efetivos, incluindo a capitalização das entidades financeiras de todos os tamanhos", ressaltou.

Atualmente, o grande problema das instituições financeiras é que elas ainda têm problemas para receber e conceder créditos, mesmo com aprovação do pacote de resgate financeiro.

O fato é que, hoje, os bancos de todo o mundo tiveram perdas que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão em nível global.

A medida dos EUA não seria a primeira da atual crise. Decisão semelhante foi tomada ontem pelo Governo britânico, que anunciou a possível injeção de US$ 87 milhões em ações preferenciais de Royal Bank of Scotland (RBS), Barclays e HSBC.

O Governo da Islândia também decidiu tomar o controle dos maiores bancos do país, atingidos pela forte crise nos mercados, que também levou outros Estados e autoridades monetárias a estabelecer alianças nunca vistas anteriormente.

Ontem, pela primeira vez na história, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) consentiu, de maneira não anunciada, uma redução das taxas de juros coordenada com outros grandes bancos centrais do planeta, entre eles o chinês.

Hoje mesmo, Bush expressou sua vontade de colaborar com os países europeus e a comunidade internacional para resolver a crise.

O chefe de Estado americano disse que os "EUA adotarão medidas firmes para atuar diante da atual situação econômica", e destacou o desejo de colaborar com seus "amigos europeus para desenvolver uma política comum da melhor maneira possível". EFE pgp/rb/plc

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