Estados Unidos e Brasil, país que atualmente preside o Grupo dos Vinte (G-20, que reúne os países emergentes), convocaram para sábado um encontro em caráter de urgência para discutir formas de coordenar novas ações contra a atual crise financeira, declarou nesta quarta-feira o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson.

O pedido foi feito por intermédio do governo brasileiro, informou Paulson, em uma entrevista coletiva.

"Estando de acordo com o Brasil, peço uma reunião especial do G-20 que inclua altos dirigentes oficiais, bancos centrais e agências reguladoras de economias emergentes para discutir como podemos nos organizar para suavizar os efeitos das turbulências mundiais e a desaceleração de nossos países", disse Paulson.

A Casa Branca já havia indicado que o presidente americano, George W. Bush, conversou por telefone com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e com a chanceler alemã, Angela Merkel, para falar sobre a preocupante situação econômica.

O G-20 agrupa, desde 1999, de forma regular, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul, Turquia, Grã-Bretanha e EUA.

A União Européia (UE) também é membro do grupo, representada pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE).

O objetivo dessa "reunião extraordinária de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais" é "discutir os aspectos da crise financeira mundial e seu impacto na economia global", destaca uma nota do ministério brasileiro da Fazenda.

A reunião será, sábado, na sede do FMI, às 18h, às vésperas da reunião anual do organismo. Hoje, o próprio Paulson se referiu a esse encontro.

O G-20 acolhe as grandes nações industrializadas e emergentes, que somam 90% do PIB mundial e 80% do comércio.

A reunião anual de ministros das Finanças e governadores de Bancos Centrais do G-20 está programada para os dias 8 e 9 de novembro, em São Paulo, e está mantida, de acordo com o governo brasileiro.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, devem embarcar hoje para Washington.

Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu uma coordenação entre os países emergentes diante a crise.

"Essa crise acentua a necessidade de coordenação com outras economias emergentes, como, por exemplo, os chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China)", disse Amorim, após uma reunião no Rio de Janeiro.

"Nós temos um enorme comércio com esses países (emergentes), que é crescente e não pode ficar à mercê de dificuldades de crédito que possam vir, devido aos problemas dos países ricos", afirmou.

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