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EUA defendem sua decisão de permitir quebra do Lehman Brothers

César Muñoz Acebes. Washington, 15 set (EFE).- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, defendeu hoje a decisão de seu Governo de permitir a quebra do banco de investimento Lehman Brothers, mas não descartou que no futuro possa intervir para evitar outras quebras.

EFE |

Não vou "arriscar o dinheiro público", declarou Paulson em entrevista coletiva, mas afirmou que isto não significa o fim das intervenções do Governo. "Não há nada mais importante que a estabilidade dos mercados financeiros", afirmou.

Enquanto Paulson discursava, o colapso do Lehman Brothers, que sobreviveu à Grande Depressão e à guerra civil, causava grandes danos às bolsas do mundo.

Além disso, se decidiu que a Merrill Lynch, outra empresa que tem história em Wall Street, será absorvida pelo Bank of America.

Além disso, poderá haver outras vítimas. Até a metade da manhã de hoje as ações da American Internacional Group (AIG), que chegou a ser a maior seguradora do mundo por seu preço de mercado, caíram 50%.

Paulson tentou transmitir uma mensagem de calma que teve que repetir a cada novo susto nos mercados, declarando que a economia americana é "saudável".

Ele se viu obrigado a representar o presidente americano, George W. Bush, que falou sobre a economia na primeira ocasião que teve, um encontro com o presidente de Gana, John Kuffour.

"Com o tempo, tenho confiança de que nossos mercados de capital são flexíveis e robustos, e podem enfrentar os ajustes", declarou Bush.

Entretanto, ao mesmo tempo reconheceu que, "a curto prazo, os ajustes nos mercados financeiros podem ser dolorosos".

Seu Governo tentou atenuar este problema em encontros durante o fim de semana com os peixes mais gordos de Wall Street no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em Nova York.

Porém, no final se negou a colocar em jogo o dinheiro público para garantir a venda do Lehman Brothers para algum de seus concorrentes, como fez em março com o Bear Stearns.

"A situação era muito diferente", afirmou Paulson. "Em nenhum momento considerei apropriado arriscar o dinheiro dos contribuintes para salvar o Lehman", acrescentou o secretário do Tesouro, embora não tenha revelado o motivo.

Gus Faucher, diretor de macroeconomia da Moody's Economy.com, tem sua própria teoria.

"Foi a decisão correta, pois com o Bear Stearns a preocupação era que poderia derrubar o sistema financeiro inteiro, enquanto os credores do Lehman Brothers tiveram tempo para se ajustarem" aos prejuízos previstos, afirmou.

O Governo também pretendeu evitar pôr mais dinheiro público em jogo, após ter colocado bilhões de dólares sobre a mesa para evitar a queda das companhias hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac.

Não podia permitir a quebra destas empresas, criadas pelo Congresso, mas administradas como companhias privadas, pois possuem ou aprovam o pagamento de quase metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos imobiliários pendentes nos EUA.

O Lehman Brothers não tinha este peso econômico, por isto o Tesouro não quis ajudá-lo para que sirva de exemplo para os outros, afirmou Rob Carnell, um economista do banco ING.

Permitiu sua quebra, declarada hoje, diante do temor de que toda grande empresa financeira com problemas ou inclusive de outro tipo batesse à sua porta para pedir fundos, afirmam os analistas.

Além das repercussões perniciosas de salvar empresas que cavaram sua própria cova, os cofres públicos não são o que eram antes.

O Deutsche Bank predisse hoje que o déficit dos EUA subirá para US$ 660 bilhões no ano fiscal que começa em 1º de outubro, valor recorde que supera a previsão de US$ 490 bilhões do Governo Bush.

Enquanto isto, o Fed anunciou que aceitará como garantia para os empréstimos que estende a Wall Street ações, bônus lixo e até hipotecas.

Também terá que responder a um apelo direto da AIG, que lhe solicitou um crédito de US$ 40 bilhões.

O Fed nunca emprestou diretamente a uma seguradora, mas os tempos mudaram. EFE cma/ab/fal

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