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EUA acusam grupos de emergentes de ameaçar o acordo comercial na OMC

A representante do Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, lamentou neste domingo que um punhado de países emergentes comprometam o delicado equilíbrio que nos últimos dias permitiu que a Rodada de Doha avançasse na Organização Mundial do Comércio (OMC).

AFP |

"Na sexta-feira havia espaço para um desenlace bem sucedido; não era perfeito, mas era delicadamente equilibrado e contava com um forte apoio", afirmou Schwab.

"Infelizmente, um punhado de mercados emergentes decidiram fazer novas reivindicações. E sabem o que acontece? Num equilíbrio tão delicado, quando puxa um fio, tudo se desfaz. Acho que a perspectiva é preocupante", advertiu.

As negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) se encontravam até então polarizadas entre países ricos e emergentes, mas agora esbarram, em sua etapa final, com um sério problemas entre os países em desenvolvimento por causa de um mecanismo de proteção reclamado pela Índia e rejeitado por exportadores como Paraguai e Uruguai.

O chamado Mecanismo de Salvaguarda Especial (MSE) permitiria aos países em desenvolvimento aumentar as tarifas em até 15 pontos percentuais no caso de um aumento de 40% das importações de determinado produt ou de um súbito aumento dos preços em seus mercados internos.

A Índia, que promove o MSE nas negociações da OMC iniciadas na segunda-feira passada e prorrogadas até a próxima quarta, tem o apoio do G33, um grupo que reclama a flexibilidade no processo de abertura de seus mercados agrícolas.

O G33 também conta com a China e outros emergentes, como a Indonésia e a Turquia, além de países africanos e muitos latino-americanos, como o Peru, Bolívia, Venezuela, Cuba e todos os centro-americanos, com exceção da Costa Rica.

O campo adverso é liderado pelo Uruguai e Paraguai, apoiados por outros exportadores agrícolas como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Chile.

Paraguai e Uruguai advertiram, no início da reunião ministerial da OMC, que o MSE "pode se transformar num obstáculo insuperável para o êxito" da Rodada de Doha.

"Restam muitos problemas por resolver, mas o MSE é um dos maiores", afirmou à AFP o porta-voz da OMC, Keith Rockwell.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, apresentou na sexta propostas que, pela primeira vez, permitem vislumbrar uma saída para as difíceis negociações entre os exportadores agrícolas do Sul e os exportadores industriais do Norte na Rodada de Doha, lançada em 2001.

O Brasil, um dos principais países do bloco dos emergentes, indicou que estava pronto a aceitar o acordo sugerido, mas o otimismo gerado pelas propostas de Lamy enfrentou seus primeiros obstáculos na resistência da Índia, Argentina e África do Sul de abrir seus mercados industriais.

bar/yw/cn

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