Por Doug Palmer e Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - Um embate entre os Estados Unidos e dois grandes mercados emergentes, a China e a Índia, a respeito da redução das tarifas para produtos agrícolas e manufaturados ameaça jogar por terra mais de uma semana de esforços para salvar um acordo mundial de comércio.

As 'ações (da China e da Índia) expõem toda a Rodada de Doha, a Rodada de Desenvolvimento de Doha, aos piores riscos já enfrentados em seus quase sete anos de vida', afirmou na segunda-feira, a membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), David Shark, autoridade da área de comércio dos EUA.

Shark acusou os indianos e os chineses de rejeitarem elementos centrais de um pacote de concessões cuidadosamente elaborado e apresentado na semana passada pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.

'A menos que esses dois membros revertam imediatamente o curso de suas ações, adotando uma postura capaz de solucionar problemas ao invés de uma postura tendente a criá-los, todos nós sairemos de Genebra de mãos vazias', afirmou Shark, vice-embaixador dos EUA junto à OMC.

Autoridades da organização disseram que os pontos já acertados superam em muito as diferenças ainda existentes.

'Estamos perto do que podemos descrever como um avanço muito substancial. Vamos caminhar essa pequena distância até a cúpula', afirmou Lamy aos delegados.

Chefes da área de comércio de cerca de 30 países-membros importantes da OMC encontram-se em Genebra desde segunda-feira passada a fim de tentar chegar a um acordo sobre os cortes nos subsídios agrícolas e sobre as tarifas para os setores agrícola e manufatureiro.

Os EUA, sob pressão para diminuir seus subsídios e tarifas em mercados de peso como o automobilístico e o de roupas, insistem que os países em desenvolvimento precisam, em troca, abrir seus mercados também.

No setor manufatureiro, os norte-americanos desejam que a China, Índia e outros países aceitem realizar negociações 'setoriais', um processo por meio do qual uma massa crítica de países acertaria o corte de tarifas para o mais perto possível do zero em relação a vários produtos industrializados, de jóias a substâncias químicas.

'Agora precisamos de uma liderança real nos momentos finais para que não desperdicemos o que já conquistamos nos últimos sete anos', afirmou um porta-voz de Peter Mandelson, comissário do comércio da UE.

Os países-membros da OMC acolheram a idéia dos acordos setoriais 'voluntários' quando ministros se encontraram em 2005, em Hong Kong.

A China e a Índia discordam, no entanto, de uma nova regra por meio da qual os países que participassem de ao menos duas negociações setoriais poderiam realizar cortes menores em suas tarifas para outros produtos manufaturados.

'O que os países desenvolvidos buscam agora é um processo de negociação que vai muito além do decidido em Hong Kong', disse Lu Xiankun, uma autoridade chinesa.

FRANÇA BUSCA APOIO

Ainda na segunda-feira uma autoridade do governo francês afirmou que o país busca reunir apoio de outros países da União Européia contra as atuais propostas para um acordo.

'Está claro que a França, como Estado-membro e não como presidente da UE, está tentando reunir certos parceiros para a sua idéia', disse à Reuters a autoridade, que não quis se identificar.

'Um certo número de membros, alguns do tamanho da França, dirão algo nas próximas horas', completou.

O porta-voz do governo, Luc Chatel, disse mais cedo que as propostas atualmente em discussão não são aceitáveis para a França, que ocupa a Presidência da UE até o final do ano.

(Reportagem adicional de Jonathan Lynn, Laura MacInnis, Sybille de la Hamaide, Valerie Parent e Robin Pomeroy)

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