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Na primeira visita de um presidente mundial da montadora japonesa Mitsubishi ao Brasil, o passeio turístico incluiu visitas a postos de combustíveis. No cargo desde 2005, Osamu Masuko, 59 anos, queria entender como as pessoas abastecem os carros flex no Brasil.

"Fiquei impressionado ao ver as bombas de álcool espalhadas pela cidade", disse Masuko. "A capacidade de produzir etanol é a grande arma do Brasil."

O passeio, na verdade um deslocamento entre reuniões nos três dias de visita ao País, foi feito em uma Pajero flex, cujo motor foi desenvolvido por meio de uma parceria entre Brasil e Japão. "Foi um grande trunfo para nós desenvolver esse motor flex e isso está abrindo mercado para nós na Europa", afirmou Masuko, que hoje visita a fábrica em Catalão, Goiás. "O modelo flex que teremos na Europa não terá a mesma tecnologia, mas a engenharia básica e o método de desenvolvimento brasileiro serão aproveitados."

Questionado sobre o futuro da tecnologia flex e a preferência do Japão pelo carro elétrico, Masuko respondeu que o Japão "não pode se dar ao luxo de desistir do etanol". "Mas, como vendemos para todo mundo, temos de ter produtos para todos os segmentos: flex, elétrico, híbrido", completou.

Responsável por reerguer a montadora, que há cerca de quatro anos estava à beira da falência, Masuko veio ao País reafirmar o compromisso com os investidores brasileiros Eduardo Souza Ramos e Paulo Ferraz, responsáveis pela produção e as vendas da marca no Brasil. Recentemente, a revelação de que Ramos se associou à Suzuki levou à especulação sobre o rompimento na parceria. "Jamais pensamos em comprar a empresa no Brasil, nem passou pela nossa cabeça concorrer com eles."

O Brasil é o sétimo maior mercado para a Mitsubishi. A montadora tem 1,3% do mercado nacional e deve registrar, este ano, crescimento de 48%. A venda de nacionais e importados deve passar de 31 mil para 46 mil veículos. "Apesar de toda essa crise mundial, nossa política para o Brasil não muda."

Ferraz e Souza Ramos estiveram no Japão recentemente avaliando alternativas de modelos para fabricar no Brasil. Atualmente, a empresa produz apenas quatro modelos: os utilitários esportivos Pajero Sport e TR4 e as picapes Triton e L200. "Estamos discutindo a possibilidade de vir a fabricar um modelo pequeno e urbano", afirmou Souza Ramos. A empresa também pretende realizar estudos de viabilidade para trazer o Miev, modelo de carro elétrico que chega ao mercado mundial em julho do ano que vem. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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