Em vez de se desesperarem com a possibilidade de uma recessão global, o jornal britânico The Times convida seus leitores a olhar os lados positivos da situação, baseando-se em estudos que apontam que a crise trará mais saúde e qualidade de vida para as pessoas.

Segundo alguns estudiosos, graças à crise, em breve as pessoas irão fumar e beber menos, a obesidade será menos difundida, o ar mais limpo e as ruas mais seguras.

Algumas pesquisas conduzidas pela Universidade de Stanford mostram como em tempos de boom econômico as pessoas de todas as classes sociais tendem a trabalhar muito e a não cuidar de si e da própria família.

Atualmente, mesmo os mais ricos, que têm possibilidades de ir à academia, bebem muito e comem alimentos pouco saudáveis, pedidos em restaurantes ou comprados prontos no supermercado.

"Cozinhar em casa ou fazer exercício são vistos como uma perda de tempo", afirma Grant Miller, professor de medicina da Universidade de Stanford.

Enquanto isso, em períodos mais incertos, as pessoas tendem a preparar para si comidas mais saudáveis e, trabalhando menos, ficam com mais tempo para ir visitar os parentes idosos e estão mais dispostos a cuidar de si e dos próprios filhos.

Em uma pesquisa publicada em 2000 e intitulada "Are recessions good for your heatlh?" (As recessões são boas para a sua saúde?), Christopher Rhum, professor de economia da Universidade da Carolina do Norte, analisou as taxas de morte entre 1972 e 1991, relacionando-as com o andamento da economia, e descobriu que cada vez que a taxa de desemprego aumentava 1%, o número de mortes diminuía 0,5%.

Mesmo com os suicídios e a mortes por câncer aumentando nos períodos de crise, o número de enfartos e de acidentes de trânsito eram de tal maneira menores que faziam baixar a taxa de mortalidade.

Para Ralph Catalano, especialista em saúde pública da Universidade de Berkley, afirmar que a recessão da economia faz bem seria uma generalização excessiva, mas alguma coisa de verdadeiro, ao menos no que diz respeito à saúde, segundo ele realmente existe.

"Quem está preocupado com perder o emprego evita fazer coisas que aumentariam os riscos de ser demitido, portanto bebem menos e correm menos perigos", disse Catalano.

Beneficiando-se da recessão estaria também o meio ambiente. Enquanto até pouco tempo na Grã-Bretanha as pessoas jogavam fora até 25% da comida que compram e trocavam de televisão a cada dois anos, agora, até quem não se preocupa com o ambiente está aprendendo a desperdiçando menos. Nos últimos seis meses, por exemplo, as autoridades britânicas divulgaram uma diminuição significativa na quantidade de lixo doméstico no país.

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