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Políticos, companhias de seguros, empresários, sindicalistas e trabalhadores dispõem desde ontem de um estudo inédito sobre os possíveis cenários para a previdência social e para os sistemas de saúde nos próximos 22 anos. O Fórum Econômico Mundial (WEF) lançou ontem, em Genebra, na Suíça, o relatório Financing Demographic Shifts 2008, um documento que traça, baseado no crescimento demográfico da população e em diferentes previsões de crescimento econômico, um panorama global das políticas sociais pelo mundo.

O documento usa as projeções de evolução populacional da Organização das Nações Unidas (ONU) para elaborar seus cenários. Segundo essas estimativas, o mundo todo deverá envelhecer. Nos países desenvolvidos, 32% da população terá mais de 60 anos, em 2050. Hoje, a fatia é de 21%. Em países "menos desenvolvidos", essa faixa etária crescerá para 20%, frente a 8% atuais.

"Isso gerará profundas mudanças para o mercado de trabalho, para a demanda agregada, para as estruturas políticas e sociais", estima o economista suíço Klaus Schwab, presidente e fundador do WEF. No que diz respeito às políticas públicas, o peso mais intenso recairá sobre a previdência social e sobre os sistemas de saúde, estimam os autores do relatório.

Os três cenários estipulados apontam níveis de proteção social diferenciados. O primeiro, Winners and the rest ("Os vencedores e os demais"), aposta em um crescimento econômico forte - da ordem de 4,5% em média anual para nações emergentes, como o Brasil.

Neste panorama, a desigualdade da qualidade dos serviços prestados por sistemas públicos e privados deve aumentar. Poucos se beneficiarão e os demais serão prejudicados.

No segundo cenário, denominado We are on this together ("Nós estamos juntos nessa"), baseia-se em uma estimativa de crescimento global da ordem de 3% ao ano até 2030, uma época em que as mudanças climáticas serão mais claras, assim como a consciência da interdependência entre as economias.

Nessa hipótese, pensões e sistemas de saúde terão sido reformados, garantindo segurança financeira e em atendimento médico à população. As políticas públicas, em interação permanente com a iniciativa privada, serão mais amplas e com melhor qualidade.

Por fim, You are on your own ("Você está sozinho"), o terceiro cenário, prevê a necessidade de reformas rápidas e radicais, com medidas dolorosas. Nessa hipótese, elaborada a partir de um panorama global de recessão prolongada com estagnação do PIB e inflação elevada, as políticas de proteção social são mínimas, e a previdência social e a saúde passam a ser responsabilidades individuais, e não dos governos.

O relatório do Fórum Econômico Mundial não traz informações específicas sobre o Brasil, mas faz o estudo de dois casos, a China e a Itália. As conclusões são preocupantes mesmo no exemplo italiano, que apresenta baixas taxas de crescimento populacional e econômico.

Na Itália, se forem mantidos o atual nível de crescimento demográfico - 1,4 filho por casal - e a performance da economia - em torno de 1% ao ano -, a tendência é de que, sem reformas de base, os sistemas de previdência e saúde caminhem para o colapso. O documento embasará a segunda parte do projeto do WEF, que é auxiliar na elaboração de políticas público-privadas para o setor.

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