A percepção sobre a crise da Grécia piora a cada dia e fez o mercado financeiro mundial reviver ontem momentos de pânico. Os investidores temem pelo futuro da zona do euro, uma vez que outros países também se encontram em situação fiscal delicada, e que eventual calote grego arraste os bancos da região, que possuem quase US$ 190 bilhões em títulos da dívida do país.

A percepção sobre a crise da Grécia piora a cada dia e fez o mercado financeiro mundial reviver ontem momentos de pânico. Os investidores temem pelo futuro da zona do euro, uma vez que outros países também se encontram em situação fiscal delicada, e que eventual calote grego arraste os bancos da região, que possuem quase US$ 190 bilhões em títulos da dívida do país. Esse cenário para lá de turbulento tem provocado maciça saída de dinheiro da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nos dois primeiros dias úteis de maio, os estrangeiros tiraram o equivalente a R$ 573 milhões da bolsa brasileira. Com isso, o saldo no ano está negativo em R$ 1,86 bilhão. A situação de ontem ficou ainda mais tensa por um suposto erro em uma ordem de venda de ações nos Estados Unidos. Um operador teria vendido alguns bilhões de dólares em papéis por engano. Com isso, o ¿?ndice Dow Jones, o mais tradicional de Nova York, chegou a registrar a pior perda da história em termos porcentuais. Do meio da tarde para a frente, o nervosismo diminuiu e o indicador caiu 3,2%. Na Bovespa, o desempenho foi semelhante. No momento de pânico, o Ibovespa chegou a cair mais de 6%. Depois recuperou parte das perdas, para encerrar o dia com recuo de 2,31%. Preocupação. "Caiu a ficha dos investidores", explicou Fausto Gouveia, da Legan Asset Management. "A situação na Grécia é bastante séria, preocupante. O mercado se deu conta disso e procura por ativos menos arriscados", emendou. Ele observou que, nesse movimento, os investidores venderam ações e migraram para os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. "O investidor vende ações, compra dólar e sai do Brasil." No mercado de câmbio, o dólar encerrou a quinta-feira valendo R$ 1,854, o que representou uma alta de 3,17%. No auge do estresse, a moeda americana subiu mais de 5% e beirou R$ 1,90. Por enquanto, a maioria dos analistas descarta que a crise europeia (uma vez que não mais se restringe à Grécia) descambe para algo semelhante ao que ocorreu no auge da crise americana. "O que vemos hoje é uma reavaliação das perspectivas para o crescimento econômico mundial", disse o estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani. Ele explicou que, até poucas semanas atrás, os investidores davam como certa uma recuperação mais forte da economia global, que não deve ocorrer. "O mercado caiu na real. Não haverá recuperação rápida", emendou a economista-chefe do Banco Fibra, Maristela Ansanelli. "Veremos uma forte recessão na Europa, mas, de qualquer forma, é um problema mais restrito, não mundial." O diretor executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme, é outro que ainda não acredita em uma mudança estrutural do cenário econômico global. "O dólar está subindo mais por razões psicológicas do que objetivas", afirmou. "Nas próximas semanas, a taxa não deve se sustentar nesse nível. Deve voltar para a casa de R$ 1,75." Apesar do relativo otimismo com os efeitos de médio e longo prazos sobre o Brasil, os analistas reconhecem que algo realmente mudou na percepção dos investidores globais nos últimos dias. "A história deste ano é de muita volatilidade", frisou Padovani. Isso significa que dias como o de ontem devem se repetir ao longo do ano - e eventuais altas expressivas, também. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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