SÃO PAULO - Pelo segundo mês consecutivo os estrangeiros tiraram dinheiro da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em fevereiro, o saldo de negociação direta ficou negativo em R$ 1,25 bilhão.

Com isso, o saldo no ano é de saída líquida de R$ 3,35 bilhões. Desde o final de 2008, o mercado brasileiro não marcava dois meses seguidos com perda de recursos externos.

No decorrer de fevereiro, os não residentes chegaram a ter saldo positivo de mais de R$ 400 milhões, mas, do dia 18 em diante, as saídas foram diárias e somaram mais de R$ 1,6 bilhão.

A virada de mão do estrangeiro coincide com o aumento das incertezas externas que pautaram o mês, como aperto monetário da China, problemas com a dívida soberana de países europeus e início da retirada das medidas excepcionais de liquidez nos Estados Unidos.

Apesar da saída do estrangeiro, o Ibovespa, principal índice da Bovespa, ainda defendeu leve alta de 1,68% em fevereiro. Quem sustentou o índice foram os investidores locais, mais especificamente os institucionais, que foram os grandes compradores de fevereiro, com saldo líquido positivo de R$ 1,68 bilhão.

As pessoas físicas foram os maiores agentes da Bovespa pelo segundo mês consecutivo. Os pequenos investidores responderam por 32,05% de todas as compras e vendas efetuadas no mês. Vale lembrar que esse posto sempre foi dos estrangeiros.

Mesmo comprando mais de R$ 450 milhões no decorrer da última semana do mês, o saldo de negociação das pessoas físicas fechou fevereiro negativo em R$ 495 milhões. Geralmente, os pequenos investidores estão na contramão do não residente, algo que não foi verificado no mês.

(Eduardo Campos | Valor)

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