O estouro da bolha cambial, que a equipe econômica do Brasil vê como uma espécie de subprime tropical, pode ter contaminado pelo menos 200 empresas brasileiras. A informação sobre o número de empresas surpreendidas pela disparada do dólar e dependuradas em operações financeiras que previam ganhos com a moeda americana mais barata foi levada ao Planalto na semana passada.

Segundo uma fonte do primeiro escalão do governo, a informação sobre o número de empresas contaminadas preocupou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levou à decisão de adiar de quarta-feira para quinta-feira passada a viagem para os Estados Unidos, para participar da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - os dois já estavam em São Paulo e, ao contrário do anunciado na quinta-feira, não foram chamados de volta a Brasília para afinar o discurso na reunião do FMI. A mesma fonte disse que o governo, após as reuniões de Lula com Mantega e Meirelles, ficou seguro de que grande parte das empresas afetadas tem caixa para assumir os compromissos contratados e absorverá os prejuízos.

No dia seguinte à reunião, o governo recebeu a informação de que mais uma grande empresa ia se manifestar sobre prejuízos. O braço industrial da Votorantim divulgou perdas com operações financeiras de alto risco (derivativo cambial) de R$ 2,2 bilhões. Há duas semanas, a Sadia anunciou prejuízo de R$ 760 milhões com a liquidação de operações de derivativos de câmbio e a Aracruz assumiu perdas potenciais de R$ 1,95 bilhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.