Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Estoques indicam que produção industrial seguirá baixa no 1ºtri

Há luz no fim do túnel, mas o túnel é comprido. Esta é a metáfora que retrata a avaliação dos representantes das instituições responsáveis pelas divulgações dos raros indicadores de estoques existentes no Brasil.

Agência Estado |

A comercialização dos produtos industriais, segundo eles, deve se restringir em grande parte, neste primeiro trimestre, aos itens que já estão nos pátios, armazéns e prateleiras. Isso significa que a produção industrial deve seguir com pouco fôlego, ainda que não deva representar um ajuste tão drástico quanto o visto em dezembro. Na ocasião, a produção caiu 12,4% ante novembro e 14,5% na comparação com o mesmo mês de 2007.

"Houve um ajuste expressivo na produção em novembro e dezembro, que associamos ao quadro elevado de estoques muito além das necessidades", comentou o gerente-executivo da unidade de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Mas ele alerta: as expectativas das empresas em janeiro eram pessimistas em relação à demanda que teriam nos próximos meses e também em relação às compras de matérias-primas. "É possível que ainda nestes primeiros meses de 2009 tenhamos um processo de ajustamento dos estoques, ainda que parte disso talvez já tenha sido realizada", considerou.

Pelo indicador da CNI, os estoques cresceram de 51,5 pontos no terceiro trimestre de 2008 para 53,5 pontos no quarto. "Nossas expectativas são de que este movimento continue por mais algum tempo. O primeiro trimestre ainda deve ser dominado por um processo de recuo e de estoques", previu, ponderando, no entanto, que ainda há muita incerteza sobre a demanda, principalmente em relação à demanda externa. "Os primeiros meses do ano com certeza ainda serão dominados por esse processo de ajustes, o que significa que as empresas vão tentar diminuir seus estoques. E isso se dá com as empresas vendendo mais do que produzem."

Os indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) obtidos com base nas respostas de aproximadamente 1,1 mil empresas revelam que o menor nível dos estoques com ajuste sazonal foi registrado em junho de 2008, o que significa indústria operando em alta velocidade porque o crescimento da atividade é grande. Na ocasião, 6,9% dos empresários julgavam que seus estoques eram insuficientes, enquanto 4,4% apontavam que eram excessivos. Essa diferença levou o índice a chegar a 97,5 pontos, o menor nível desde abril de 1995, quando estava em 86,6 pontos (4,7% excessivo contra 18,1% de insuficiente). Desde junho, a direção foi só de alta: em julho, foi de 98,3 pontos; em agosto, de 99,9 pontos e, em setembro, de 101,5 pontos. "Foi um ponto de inversão importante em setembro. Foi quando se virou a página e mais gente avaliou que tinha estoques em excesso do que em falta", disse o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo.

Nos meses seguintes, a trajetória de elevação continuou: 105,0 pontos em outubro, 115,7 pontos em novembro, 119,6 pontos em dezembro e 121,8 pontos em janeiro (zero com insuficiente e 21,8% com excessivo). "Neste período, o índice subiu menos, mas continuou subindo", avaliou Campelo. No mês passado, destacou o coordenador da FGV, alguns segmentos já apresentavam índice na casa dos 130 pontos, o que significa 30% a mais de empresários que consideram estoque excessivo na comparação com os que avaliaram seus estoques insuficientes. Esses setores são minerais não-metálicos, metalurgia, material elétrico de comunicações e material de transporte. Apesar de não descartar a possibilidade de continuidade da deterioração do índice geral, ele não acredita que o resultado nacional chegue a esse patamar. "O balanço é muito difícil, o índice pode até se estagnar neste valor... só não há sinal de que vai melhorar imediatamente", considerou.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do Banco Real também foi na mesma linha: em janeiro, o indicador sofreu a sua quarta queda consecutiva e recorde, o que endossa a perspectiva de que a produção industrial de janeiro deve apresentar novo recuo no primeiro mês deste ano (o dado de janeiro será publicado pelo IBGE em 6 de março). Quando abre-se o dado verifica-se que a classificação dos estoques apresentou alguma melhora, ainda que tenha se situado em um nível ainda em evidência. A pontuação dos estoque passou de 49,00 pontos no penúltimo mês de 2008 para 52,8 pontos em dezembro e 47,5 pontos em janeiro. "Isso ocorreu à custa de menos produção. A leitura completa é a de que a atividade está fraca, então troca-se produção e emprego por estoque já produzido", explicou o economista do Banco Real, Cristiano Souza.

Para a frente, porém, a indicação ainda é negativa, disse Souza. "Os novos pedidos ainda estão em queda e dão a tônica de que a atividade da indústria continuará a cair para frente", projetou. A trajetória nos mesmos três meses em questão foi de 36,4 pontos, 34,5 pontos e 33,6 pontos. "Em fevereiro, o indicador pode ser mais baixo ainda. Faz sentido acreditar num dado fraco da produção, por meio da desova de estoques, no primeiro trimestre."

Acelerando

Na avaliação de Flávio Castelo Branco, da CNI, o setor automobilístico foi o que agiu de forma mais evidente na tentativa de normalizar seu quadro de estoques. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou esta semana que a média diária de vendas de veículos em fevereiro deve ficar em 9,8 mil unidades contra uma produção de diária de 10,8 mil unidades. Os dois números são maiores que os registrados no primeiro mês do ano, quando a indústria vendeu 9,4 mil veículos e produziu 8,9 mil por dia, com fechamento de 1.858 vagas. "Mas alguns outros setores ainda sentirão, pois as compras de uns são a venda de outros", salientou Castelo Branco.

Para ele, ainda que haja casos de ajuste em alguns setores, outros se aproximam de um nível mais normal. Mas não há dúvidas: quase todos os segmentos ainda apresentarão resultado desfavorável na comparação com os números do mesmo período do ano passado. "Os setores voltados para o mercado internacional vão demorar mais para se adequarem, talvez até mais do que os três meses previstos na média. Já os voltados para o mercado doméstico podem voltar um pouco mais rápido do que esse período."

Aloísio Campelo, da FGV, destacou que se a boa notícia é a de que o setor de material de transportes apresentou uma evolução favorável em janeiro, a indústria como um todo não seguiu o mesmo caminho. "No geral, piorou", avaliou. "Em janeiro, na média, não houve melhora da situação dos estoques. Metalúrgica continua piorando, e isso tem a ver com o setor de construção, que está mal", continuou. Especificamente sobre o setor automotivo, ele lembrou que, se os dados de janeiro da Anfavea foram positivos, não chegaram a ser suficientes para recuperar a perda toda do setor vista nos meses anteriores. "A indústria passou de uma produção de 300 mil veículos por mês para 200 mil, de 200 para 100 mil e agora voltou para 200 mil. É pouco", comparou.

Nas estradas, a queda é evidente. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) divulgou hoje que o fluxo de veículos pesados, basicamente formado por caminhões, pelas estradas pedagiadas do País sofreu em janeiro uma queda de 2,90% ante dezembro. Em dezembro, a circulação destes veículos já havia despencado 3,70% na comparação com novembro. Mais um dado que indica que a produção industrial de janeiro realmente não registrará números nada bons.

Leia mais sobre indústria

Leia tudo sobre: indústria

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG