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Estoque de veículos já supera a produção

Montadoras e revendas de veículos encerraram outubro com 297,7 mil veículos em estoque, volume superior à produção total do mês, de 296,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. É um dos mais altos estoques mantidos pelo setor nos últimos anos, e equivale a 38 dias de vendas.

Agência Estado |

Nos últimos meses, a média mantida nos pátios das fábricas e das lojas não passava de 25 dias.

Com a restrição de crédito ao consumidor, as vendas no mês passado caíram 11% em relação a setembro - para 239,2 mil unidades -, e 2,1% na comparação com outubro de 2007, após meses seguidos de resultados recorde. O sinal amarelo levou os executivos das montadoras ao governo, que ontem mesmo iniciou a liberação de parte dos R$ 4 bilhões de uma linha especial de crédito voltada aos bancos das montadoras para financiar o consumo.

"Esperamos que as condições de restrição de crédito em outubro não se repitam nos próximos meses e a oferta de financiamento mais ampla leve novamente a uma competição das instituições pelo consumidor", disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

Segundo ele, com a linha de crédito e outras medidas anunciadas anteriormente, como as mudanças no recolhimento do depósito compulsório, os bancos privados também voltarão a emprestar em melhores condições que as das últimas semanas. Diante das incertezas, os bancos aumentaram juros, reduziram prazos de pagamento e passaram a ser mais seletivos na aprovação de fichas.

Na terça-feira, a Nossa Caixa também anunciará uma linha especial para financiamento de automóveis em São Paulo. Schneider acredita em retomada do mercado nos últimos dois meses, por isso manteve a projeção do setor de encerrar o ano com aumento de 24% nas vendas, ou 3 milhões de veículos.

A previsão de produção, mesmo com as férias coletivas anunciadas por várias montadoras, também foi mantida em 3,4 milhões de veículos, 15% a mais que em 2007. Schneider não descartou, porém, uma revisão dos números no início de dezembro. Para 2009, a Anfavea prevê crescimento menos acelerado do mercado interno, na casa de um dígito.

A falta de crédito, segundo Schneider, foi sentida mais fortemente entre os consumidores de menor renda, que normalmente compram carros mais baratos, os chamados populares, com motor 1.0. A participação do segmento nas vendas totais caiu para 47,2%, a menor em mais de dez anos. "É a parcela que mais precisa de crédito", disse o executivo.

Também ocorreram mudanças na forma de pagamento, com 41% das compras feitas à vista e 59% a prazo. Há um ano, as participações eram de 35% e 65%, respectivamente.

Schneider não vê como "drástica" a decisão de várias montadoras de dar férias coletivas, suspender jornada extra e até abrir programas de demissão voluntária - medida adotada pela General Motors. "Houve necessidade de adequação de estoques", justificou.

Com a liberação ontem de R$ 1 bilhão dos R$ 4 bilhões previstos para os bancos das montadoras até dezembro, as empresas programam feirões em fábricas e nas revendas neste fim de semana, mas as condições ainda são restritas, principalmente em relação à exigência no valor de entrada.

A GM realizará feirão na fábrica de São Caetano do Sul amanhã e domingo para desovar estoques de carros novos. Na rede de revendas, também haverá promoções para os seminovos. A GM foi a marca que teve a mais expressiva queda de vendas no segmento de automóveis entre as quatro maiores fabricantes, de 22,2% em outubro ante setembro. A Fiat caiu 14,5% e a Volkswagen, 11,6%.

A Ford, que teve queda de 2,3% nos negócios, também promove feirão nas revendas com oferta de juros mensais de 0,99% e parcelamento em 24 meses. A entrada, porém, é salgada, de 50% do valor do veículo. A Citroën oferece juros de 0,49% para os modelos da linha e prazos de 24 a 48 meses, mas também exige metade do valor do bem como entrada. O alívio é na primeira prestação, que pode ser paga em 1º de abril.

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