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Depois da suspensão da licença prévia para importações, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior faz forte pressão para o Ministério da Fazenda acelerar o anúncio das novas medidas pró-exportação. Embora a retração da demanda mundial seja a grande responsável pela redução das vendas externas, o crédito ao setor exportador ainda é um problema que não foi resolvido.

O Ministério do Desenvolvimento também vê espaço para o aumento da desoneração tributária aos exportadores.

A área técnica do Ministério do Desenvolvimento reclama da demora da Fazenda e do Banco Central em adotar as medidas, apesar dos inúmeros alertas à equipe econômica sobre a necessidade de urgência. A equipe do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, também cobra maior participação da Fazenda nas discussões das medidas e sobre a resposta do governo ao protecionismo.

Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, o episódio da suspensão de licenças ainda não foi "digerido" pelo ministro Miguel Jorge e pelo secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. A avaliação nos bastidores é de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, passou toda a responsabilidade pelas licenças prévias ao Ministério do Desenvolvimento, quando a Fazenda sabia da medida.

Barral também criticou a atuação da Receita Federal que, na sua avaliação, é lenta na execução das medidas e resistente à desburocratização do setor. O secretário disse que a suspensão da medida foi desnecessária. Com discurso "afiado", ele citou duas obras de William Shakespeare ao afirmar que os críticos da licença prévia para importações a entenderam mal. Barral negou que a redução das importações na última semana de janeiro esteja vinculada à exigência para alguns produtos - medida suspensa pelo governo em 28 de janeiro.


Para ele, houve tentativa de criar "um drama shakespeariano, com muitos candidatos a Iago". A afirmação de Barral foi uma referência ao personagem que, na peça Otelo, promove intrigas e desencadeia a tragédia. Barral afirmou, porém, que no caso das críticas não houve um drama e, sim, uma "comédia de erros que estava mais para Muito Barulho por Nada" - referência a outra peça de Shakespeare.

Para comprovar sua avaliação, Barral apresentou dados segundo os quais, nos três dias em que a medida esteve em vigor, foram apresentados 49 mil pedidos de licenças, todos analisados pela Secretaria de Comércio Exterior, alguns deles para 2010 e 2011.

Barral procurou mostrar desconforto com o que classificou de "arroubos" protecionistas de vários países. Citou a Ucrânia, o Equador e "barreiras fitossanitárias" de países europeus. Para Barral, "o protecionismo é um câncer e as medidas de retaliação são a metástase". Procurado, o Ministério da Fazenda não se pronunciou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.