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Estados Unidos não admitem culpa pelo impasse

O governo americano tentou, a todo custo, evitar que fosse responsabilizado pelo fracasso na Rodada Doha. Para isso, montou uma verdadeira estratégia de comunicação, passou a culpar China e Índia e nem sequer aceitou responder perguntas de jornalistas.

Agência Estado |

A primeira a sair da sala para fazer uma declaração foi justamente a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab. Quase aos prantos, a americana se recusou a afirmar que o processo tinha sido fechado sem sucesso. "Há poucos dias, estávamos tão perto de um acordo. Mas lamentavelmente não conseguimos fazer avançar."

Um jornalista tentou interrompê-la e perguntou se esse era o fracasso da Rodada Doha. Mas recebeu uma resposta irritada: "Não foi isso que eu disse. O governo americano continua comprometido com o sistema multilateral. Colocamos nossas ofertas sobre a mesa e esperamos respostas recíprocas. O governo continuará comprometido com o processo".

Um dos principais temores dos americanos nos últimos dias era o de que caísse sobre o governo de George W. Bush mais um fracasso internacional. Tendo de lidar com o legado da guerra no Iraque, crise econômica e com o fato de ter abandonado várias tratados internacionais, Bush esperava que essa seria sua cartada final.

Mas, preso ao lobby agrícola e de olho nas eleições presidenciais e no desempenho do Partido Republicano, a Casa Branca não conseguiu fazer uma nova concessão. Schwab optou pelas acusações. "É irônico que, em meio a uma crise alimentar mundial, a OMC tenha fracassado exatamente na capacidade de encontrar um acordo sobre barreiras aos alimentos."

Durante dois dias inteiros, a OMC ficou aguardando uma solução para a questão das salvaguardas sobre produtos agrícolas. Mas todos sabiam que, se esse tema fosse resolvido, pelo menos outros dez teriam de ser tratados, alguns com impacto político maior. Um deles seria o acesso aos mercados emergentes para bens industriais.

O último encontro foi emblemático. Os europeus se transformaram nos mediadores do processo e uma nova fórmula seria criada para tentar satisfazer indianos, chineses e americanos. Ao iniciar a reunião, os americanos sequer apareceram. Já os chineses e indianos abandonaram a sala.

Governos de países como o Chile e o México sugeriram que o processo fosse mantido. Mas Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, respondeu: "Temos de admitir o fracasso". Ele garante que esse ainda não será o fim da Rodada Doha.

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