O Estado venezuelano possui a partir desta terça-feira mais de 90% da indústria cimenteira nacional, após o decreto do presidente Hugo Chávez da expropriação da mexicana Cemex e o acordo amistoso com a francesa Lafarge e a suíça Holcim.

À meia-noite de segunda-feira, o ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, e trabalhadores e partidários do governo simbolizaram o controle de uma fábrica da Cemex no leste do país e em outras fábricas.

"Ativamos um decreto de expropriação e a estabilidade trabalhista dos trabalhadores está garantida pelo Estado venezuelano (...) Além do interesse comercial, temos o interesse dos venezuelanos", afirmou Ramírez.

Horas antes, o governo pagou um total de 819 milhões de dólares por 89% do capital de Lafarge (267 milhões de dólares) e 85% da Holcim (552 milhões), com as que chegou a acordos amistosos.

Segundo Ramírez, o Estado venezuelano passa assim a ter "cerca de 90% do controle do mercado de cimento nacional, cuja estatização foi anunciada em abril passado".

A partir desta terça-feira, quando Chávez assinar o decreto de expropriação, um grupo de peritos deve calcular o valor da empresa e, se não chegar a um acordo em 60 dias, recorrerá a uma arbitragem judicial.

"A Cemex possui uma tecnologia muito atrasada, tinha um passivo ambiental e fiscal muito importante (...) e não fizeram os investimentos necessários para suprir a demanda", destacou Ramírez.

No entanto, a Cemex, que está na Venezuela há 60 anos, afirma que é responsável por cerca de 50% do que foi construído recentemente neste país.

"Acredito que há uma margem de negociação ainda. Não acredito que estejamos num ponto sem volta. Mas para a Cemex não convém", comentou à AFP Asdrúbal Oliveros, responsável da consultoria Ecoanalítica.

"Os preços que o governo está pagando são os que nós havíamos estimado. O caso Cemex é complicado, mas os número que estimamos para ela também estão perto dos oferecidos pelo governo", considerou Oliveros.

Segundo ele, a falta de acordo com a Cemex se deve ao fato de a empresa mexicana ter um alto percentual de ações na Bolsa da Venezuela, o que talvez devesse implicar numa Oferta Pública de Aquisições (OPA)".

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