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Bangcoc, 2 set (EFE).- O estado de exceção declarado hoje em Bangcoc para aplacar os protestos contra o Governo tailandês e a instabilidade política afugentam o investimento e freiam o avanço da economia a longo prazo, afirmaram economistas e agências de classificação de risco.

"A escalada da incerteza política, por causa do confronto entre detratores e partidários do Governo, representa uma ameaça não apenas para o Governo eleito democraticamente do primeiro-ministro (tailandês) Samak Sundaravej, mas também para a estabilidade econômica a longo prazo", disse o vice-presidente da Moody's Risk Services Group, Thomas Byrne.

Uma pessoa morreu e outras 43 ficaram feridas nos confrontos registrados hoje de manhã em Bangcoc entre os quais exigem a renúncia do ultradireitista Sundaravej, de 73 anos, e os que defendem sua continuidade.

Byrne destacou que a situação põe "em xeque não apenas a viabilidade da democracia na Tailândia, mas a neutralidade política do sistema judiciário".

O analista Kim Eng Tan, da Standard & Poor's, prevê o arrefecimento do crescimento da economia por causa da queda da demanda, do turismo e do investimento estrangeiro direto, e a possibilidade da reclassificação para baixo do país.

Partidários da Aliança do Povo para a Democracia, que organiza os protestos para derrubar o Governo, bloquearam hoje os acessos aos aeroportos de Krabi, Hat Yai e Surat Thani, no sul do país, e aos principais destinos turísticos da Tailândia.

É a segunda vez em menos de uma semana que os manifestantes forçam o fechamento do tráfego aéreo nestes locais, por onde transitam dezenas de milhares de turistas todos os anos.

O aeroporto de Hat Yai, perto da fronteira com a Malásia, foi reaberto no sábado, após um dia fechado, enquanto os de Krabi e de Phuket começaram a funcionar no domingo.

Milhares de turistas estrangeiros foram afetados pelo fechamento do tráfego aéreo nestes aeroportos no final de semana, e muitos tiveram que viajar para Bangcoc de ônibus por falta de vôos.

A cotação da moeda tailandesa - baht - frente ao dólar chegou hoje ao nível mais baixo em mais de um ano, enquanto a Bolsa de Valores de Bangcoc caiu 2,33% por causa do temor dos investidores de que a situação demorará a voltar ao normal.

O Banco da Tailândia (autoridade monetária) teve que intervir durante o dia para que a cotação do baht não caísse mais.

As promessas feitas hoje à tarde pelo chefe do Exército tailandês, general Anupong Paojinda, de que não dará um golpe de Estado nem usará a força para dissolver os protestos não acalmaram o investidor nacional e estrangeiro.

As Embaixadas da Coréia do Sul e de Cingapura em Bangcoc pediram a seus cidadãos que evitem visitas desnecessárias a Tailândia, os Governos da Austrália e de Taiwan solicitaram aos seus que redobrassem o cuidado e a China advertiu que seus cidadãos devem revisar suas rotas de viagem e ficar atentos ao desenvolvimento dos fatos. EFE grc/wr/fal

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