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Especialistas alertam para o perigo do endividamento em 2009 e dão dicas

SÃO PAULO - Diante do cenário de recessão, crise econômica e aumento do endividamento, é preciso cautela e controle do orçamento na hora de pagar as contas pesadas do começo do ano, como IPTU, IPVA, material escolar e matrículas de cursos. Segundo dados do Banco Central (BC), a inadimplência das pessoas físicas nas operações de crédito atingiu 7,8% em novembro de 2008, índice mais elevado nos últimos cinco anos. Especialistas alertam que gastos mal programados em janeiro podem comprometer o orçamento do ano inteiro e trazer mais dívidas ¿ principalmente no cheque especial.

Marina Morena Costa, repórter do Último Segundo |

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    Acordo Ortográfico

    Sempre que possível, pague à vista o IPTU e o IPVA para conseguir os descontos. Se não der, prefira o parcelamento e saiba que é preciso separar aquela quantia nos próximos meses para o pagamento. Jamais recorra ao cheque especial ou ao cartão de crédito para pagar impostos, pois os juros são muito altos e não vale a pena, aconselha Douglas Renato Pinheiro, coordenador do curso de Administração das Faculdades Rio Branco.

    Marina Morena Costa/iG
    Daniela Althmann optou por parcelar o IPVA
    No entanto, pagar à vista nem sempre é a melhor solução, de acordo com o consultor financeiro Reinaldo Domingos, autor de Terapia Financeira ¿ quebre o ciclo das gerações endividadas e construa sua independência financeira. Para Domingos, é melhor ter uma reserva financeira para meses difíceis do que gastar todo o dinheiro guardado para pagar as contas em uma única parcela. Quem pagar à vista precisa ter certeza de que não necessitará deste montante pelos próximos seis meses. Se a pessoa entrar no cheque especial pouco tempo depois, toda a economia feita no início do ano irá por água abaixo, afirma Domingos em referência aos juros de 14,5% ao mês, em média, do cheque especial praticados pelos bancos, de acordo com dados do BC.

    "Jamais recorra ao cheque especial ou ao cartão de crédito para pagar impostos, pois os juros são muito altos e não vale a pena

    A dentista Daniela Althman, de 22 anos, ponderou na hora de decidir como pagar o IPVA de seu Fox 2007 e optou por parcelar em três vezes. Com o desconto de 3% no pagamento à vista, o total do IPVA cairia de R$ 1.156,96 para R$ 1.122,28. Achei muito pesado, por isso optei pelas três parcelas de R$ 385,65, sem desconto, diz. Como Daniela é profissional liberal e não conta com o benefício do 13º salário, nem a garantia da renda fixa, Domingos avalia que o parcelamento foi a melhor decisão. A Daniela tem renda variável e sabe que os primeiros três meses do ano são de pouco rendimento, porque as pessoas estão em férias, têm contas para pagar e não priorizam ir ao dentista. Ela está correta em optar pelo parcelamento, diz o consultor financeiro.

    O desconto de R$ 34,68 no IPVA pareceu pouco atraente para Daniela, mas, segundo Domingos, a dentista não conseguiria ganhar mais de R$ 20 se aplicasse o valor do IPVA em um fundo de renda fixa. Em termos de rentabilidade, o desconto é interessante, sim. Em Estados como o Rio Grande do Sul, ele pode chegar a 5% do valor total do imposto, explica Domingos. Mas o mais importante na hora de escolher pagar à vista ou parcelar não é o valor do desconto, e, sim, a reserva que você tem para os próximos meses.

    Quem entra em 2009 endividado, e não tem como arcar com o pagamento das parcelas dos impostos, pode solicitar um empréstimo pessoal para evitar os juros do cheque especial. Pedir um empréstimo parcelado no banco é mais seguro. Se a pessoa não tem dinheiro para pagar a primeira parcela e entra no cheque especial, ela provavelmente também não terá no segundo mês. Além da segunda parcela, ela arcará com os juros do mês anterior do cheque especial, explica Pinheiro. Segundo o professor de economia, neste caso, os juros do crédito pessoal ¿ média de 3,13% ao mês, de acordo com o BC ¿ são a melhor opção.

    Segundo Domingos, o IPTU oferece descontos mais generosos para o pagamento à vista, de até 10%, dependendo do município. Mas não é lei que deva ser pago à vista. Cada pessoa tem que avaliar qual é a melhor opção para o seu orçamento anual, explica.

    "O mais importante na hora de escolher pagar à vista ou parcelar não é o valor do desconto, e, sim, a reserva que você tem para os próximos meses"

    Material escolar

    Para a compra do material escolar, Domingos indica a pesquisa de preços em cinco lugares diferentes e a formação de grupos com outros pais para conseguir descontos nas lojas. Comprar material para 10 crianças é diferente de comprar para uma só. Juntos os pais conseguem descontos no pagamento à vista, ou facilidades no parcelamento, afirma.

    Pinheiro concorda que a pesquisa é fundamental e alerta para o aumento no preço dos livros. O ideal é aproveitar o material do irmão mais velho. Para os livros que são indicados pela escola como objeto de pesquisa, os pais não precisam, necessariamente, comprá-los. Podem amenizar a despesa indicando a pesquisa em bibliotecas, ou mesmo na internet, indica o professor.

    O alerta para o controle dos gastos e a necessidade de poupar é cada vez mais extremo entre os economistas. Em 2009, os gastos não podem seguir o mesmo ritmo de 2008. As coisas serão diferentes e devem ser refletidas, discutidas em família. A crise não deve durar apenas dois ou três meses, por isso o endividamento é muito perigoso, alerta Domingos.

    Especialistas dão dicas; veja o vídeo

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