Madri, 30 abr (EFE).- O Governo espanhol aprovou hoje um drástico plano de corte de altos cargos públicos e redução de empresas públicas como parte de sua estratégia para combater a crise econômica, que já aumentou a taxa de desemprego na Espanha para 20,05% da população economicamente ativa.

Madri, 30 abr (EFE).- O Governo espanhol aprovou hoje um drástico plano de corte de altos cargos públicos e redução de empresas públicas como parte de sua estratégia para combater a crise econômica, que já aumentou a taxa de desemprego na Espanha para 20,05% da população economicamente ativa. "Temos um alto percentual de desemprego. É o principal problema do país", reconheceu o presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, em entrevista coletiva em Leão (noroeste da Espanha), ao comentar esse aumento do desemprego no primeiro trimestre deste ano: 286,2 mil pessoas a mais, totalizando 4.612.700 desempregados no país. O desemprego é o pior efeito da crise econômica na Espanha, que o Governo de Zapatero busca combater com medidas como a aprovada no Conselho de Ministros nesta sexta-feira. O Plano de Racionalização do setor público aprovado hoje contempla a redução de 29 empresas públicas (de um total de 106, ou seja, aquelas nas quais a participação do Estado é superior a 50% do capital) e a supressão de 32 altos cargos ministeriais. O objetivo do Plano é realizar "uma profunda reestruturação do setor público empresarial a fim de aumentar sua eficiência e eficácia e reduzir o gasto público que comporta", assinala o texto do Plano. A nova medida de choque inclui a supressão de 14 sociedades mercantis e a fusão de outras 24, além da eliminação da maioria das fundações estatais. Com essas mudanças, haverá uma redução de mais de 27% para o número de sociedades públicas, explicaram em entrevista coletiva posterior ao Conselho de Ministros a vice-presidente primeira do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, e a vice-presidente segunda e titular de Economia do Executivo, Elena Salgado. Os 32 altos cargos do Governo que desaparecem são oito diretores-gerais, um secretário-geral e 14 responsáveis de organismos autônomos com categoria de diretor-geral. O corte dos altos cargos começará nas próximas semanas e continuará pelos próximos três meses. Por enquanto, o Plano não afetará nem o Ministério de Assuntos Exteriores nem o conjunto das Secretarias de Estado, ao menos até o fim deste semestre, no qual a Espanha exerce a Presidência rotativa da União Europeia (UE). Já a reorganização e racionalização do setor público, com suas empresas e fundações, terminará antes do fim do ano. A vice-presidente primeira e porta-voz do Governo explicou que este plano entra na estratégia de reduzir o déficit público para 3% do PIB com os objetivos estabelecidos em 2013. Segundo Fernández da Vega, com essas medidas, também se procura cumprir o compromisso de reduzir em 4% os custos trabalhistas da Administração e do setor público. A reestruturação deste setor estatal representará também a supressão de 80 cargos diretores e de 450 postos de conselheiros em empresas e entidades públicas empresariais. As empresas públicas estatais cortarão em pelo menos 10% seus postos diretores, 40 no total, e em 15% o número de conselheiros daquelas sociedades que contam com um conselho de administração de mais de seis membros, 150 no total. A economia que representará essa reestruturação do setor público empresarial será de 16 milhões de euros anuais (US$ 22,4 milhões), ressaltou Salgado. Segundo Fernández de la Vega, com essas medidas, também se procura cumprir o compromisso estabelecido há semanas de reduzir em 4% os custos trabalhistas da administração e do setor público. Mariano Rajoy, presidente do principal partido opositor, o Partido Popular, comentou essa reestruturação do setor público e afirmou que a redução de cargos, sendo uma medida "isolada e desconexa", se demonstrará "inútil". Ele acrescentou que os números de desemprego na Espanha demonstram a necessidade de "uma mudança radical" urgente na política econômica, pois "o tempo está se esgotando". Ignacio Fernández Toxo, secretário-geral de Comissões Operárias (CCOO, uma das principais centrais sindicais espanholas), mostrou também sua preocupação com o "altíssimo" desemprego. Toxo disse que o desemprego continuará crescendo caso não se corrijam os elementos "mais perniciosos" do plano de austeridade aprovado pelo Governo. Por outro lado, a vice-presidente Salgado afirmou que não se chegará ao número de 5 milhões de desempregados na Espanha e insistiu que a previsão do Executivo para este ano é 19% da taxa de desemprego. EFE eco/sa

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