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Esforços para relançar Rodada de Doha são suspensos por desacordo de países

Marta Hurtado Genebra, 28 jul (EFE).- Os esforços para relançar a Rodada de Doha voltam a ficar suspensos após a rejeição à proposta de convergência do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, e seu anúncio de que amanhã apresentará um novo projeto.

EFE |

"Tínhamos um acordo na sexta-feira com um resultado bem-sucedido, não era perfeito, mas tinha um equilíbrio relativo, respaldado pela maioria dos participantes", afirmou a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab.

Ela acrescentou que "infelizmente alguns poucos mercados emergentes decidiram que o queriam reequilibrar a favor de outros assuntos. Este balanço é tão delicado que se for esticado de um lado será desequilibrado do outro, portanto se rompeu o único pacto de êxito que tínhamos até agora".

Desta forma, Schwab expressava o desgosto por um processo de negociação que entra em seu oitavo dia sem que, por enquanto, se tenha alcançado avançar de forma determinante.

Trinta ministros de Comércio de países que pertencem à OMC estão reunidos em Genebra há uma semana tentando desbloquear a Rodada de Doha, que tem o objetivo de conseguir uma maior liberalização do comércio mundial.

Os ministros analisaram o projeto de Lamy este fim de semana e após a reunião de hoje, na qual foram abordados temas mais específicos que ainda não tinham sido discutidos, o responsável da OMC decidiu redigir outro texto com a ajuda dos presidentes dos grupos negociadores, que conhecem de perto as posições e os interesses de todos os membros.

O texto da última sexta foi rejeitado por países como Argentina, Índia e os países em desenvolvimento reunidos no G-33, assim como por alguns Estados da União Européia.

Um dos aludidos implicitamente por Schwab, o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, disse que o encontro de hoje "foi construtivo", mas afirmou que ainda há questões sem solução.

Nath afirmou que seu país apóia uma declaração que assinaram hoje uma centena de países em desenvolvimento no qual se exige que o projeto de acordo inclua um dispositivo que proteja seus vulneráveis mercados agrícolas.

As salvaguardas são um mecanismo que permite aumentar automaticamente as tarifas em caso de um abrupto aumento das importações agrícolas ou de uma queda extraordinária do preço destes produtos.

Os países que assinam o texto rejeitam os números que sugeria Lamy em sua proposta de convergência e pedem que se mantenham os números que já apresentaram, que são muito mais protecionistas.

Já o porta-voz da OMC, Keith Rockwell, afirmou que alguns dos temas que estão pendentes são as salvaguardas, além do pedido dos países desenvolvidos de que se proíba a possibilidade de excluir um setor inteiro dos cortes de tarifas estipuladas, assim como o assunto do algodão.

"Ainda necessitamos ver progresso no algodão. Este é um dos temas mais importantes que devem ser solucionados", declarou a comissária de Agricultura da União Européia, Mariann Fischer Boel.

Os produtores de algodão, especialmente Brasil e o chamado G4 - formado por Burkina Fasso, Benin, Mali e Senegal - pedem que sejam reduzidos de forma substancial os subsídios que os Estados Unidos entregam a seus produtores de algodão.

Já a China anunciou nas últimas horas que não abrirá seu mercado ao algodão, ao arroz e ao açúcar, como reivindica os EUA.

Fischer Boel não conseguiu ocultar seu ceticismo: "Até sou otimista, mas temos diante de nós muito trabalho". EFE mh/fal

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