O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira que a escolha de Aldo Luiz Mendes para a diretoria de Política Monetária do BC, no lugar de Mário Torós, foi baseada em três critérios principais: experiência técnica, perfil técnico e independência. Segundo ele, a experiência de Mendes foi obtida no Banco do Brasil, onde ocupou diversas diretorias até alcançar a vice-presidência de Finanças, Mercados de Capitais e Relações com Investidores.

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O segundo aspecto, segundo Meirelles, pode ser observado pela ascensão profissional de Mendes, que sempre ocorreu de acordo com o desempenho do executivo. "E eu sou um homem que acredita na meritocracia", afirmou Meirelles. "Aldo tem excelente relação com os mercados", acrescentou.

O presidente do BC disse ainda que Mendes é "absolutamente adequado para o cargo". Ele observou que os critérios que nortearam a escolha foram os mesmos que pautaram a indicação de outros diretores da instituição. Meirelles acrescentou que "não está previsto nenhum movimento próximo" na diretoria da instituição, após a saída de Torós.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de os diretores de Política Econômica, Mário Mesquita, e de Liquidações e Crédito Rural, Gustavo do Vale, deixarem seus cargos em breve, Meirelles informou que "esses diretores manifestaram o desejo de estarem comigo na gestão do Banco". O presidente do BC observou, no entanto, que "no dia em que deixar o Banco, não poderei mais falar sobre o futuro".

O presidente do BC informou que trabalha com duas datas para deixar o cargo: abril ou dezembro de 2010. "Hoje, a maior probabilidade é que eu atenda o convite do presidente Lula e fique no BC até o fim de 2010. Existe outra possibilidade, que eu vou considerar com seriedade em março", afirmou, ao se referir ao prazo legal para que deixe o cargo no BC para disputar algum cargo nas eleições de 2010.

Saída de Torós

O presidente do BC disse que conversou com o ex-diretor de Política Monetária, Mario Torós, após a publicação da polêmica entrevista na edição de sexta-feira do jornal Valor Econômico. "Conversando com o diretor, ele disse que é de sua responsabilidade o que está entre aspas (na reportagem). O que não está entre aspas, ele disse que é de outras pessoas", relatou Meirelles.

O presidente do BC não quis responder à pergunta feita por jornalistas sobre eventual mal-estar gerado pela entrevista. "Entre aspas ou não, aquilo é uma opinião pessoal. O Banco Central fala em documentos e pelo seu presidente", respondeu Meirelles.

Meirelles falou hoje com a imprensa após proferir palestra em evento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (Andifes).

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