A aviação de combate do Equador vai receber os aviões que queria - 24 Super Tucanos, turboélices fabricados pela Embraer - e que o governo do Brasil havia decidido não financiar. Segundo o Ministério da Defesa, o primeiro lote, com as quatro unidades de um esquadrão, será entregue ainda no fim do ano.

O negócio, avaliado em cerca de US$ 261 milhões, estava embargado desde novembro. Todos os custeios correrão por conta do governo equatoriano com dinheiro próprio. O primeiro modelo da operação previa que os recursos sairiam do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em novembro a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva embargou o processo de concessão de crédito. Foi uma retaliação pelo calote anunciado na ocasião pelo presidente Rafael Correa, que decidiu recorrer à Corte Internacional de Arbitragem para não pagar outra dívida de US$ 243 milhões ao BNDES.

Ontem, em Brasília, funcionários do Palácio do Planalto destacavam que o veto não foi a opção preferida, mas uma consequência da pendência financeira referente a uma obra do grupo Odebrecht. A venda dos aviões não foi suspensa, destacaram as mesmas fontes. Mas dependia da obtenção de outra linha de crédito.

Os Super Tucanos serão fornecidos na versão A-29B, bipostos de ataque leve e treinamento avançado. O pacote abrange amplo suporte logístico, estações de apoio e simulador digital de voo.

A Embraer admite uma carteira de 169 unidades encomendadas para uso, além do Equador, por Brasil, Colômbia, Chile e República Dominicana.

A configuração escolhida pelo Equador é a chamada Versão Colômbia, com instrumentos eletrônicos comprados de Israel e capacidade para uso de armas inteligentes - bombas e mísseis guiados por laser ou GPS. Cada avião pode levar até 1,5 tonelada de carga de ataque, mais duas metralhadoras orgânicas .50. O ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, disse que "o equipamento, centralizado no sistema do radar sueco Erieye, aumenta a capacidade de pronta resposta da aviação e defesa aérea".

Há um ano uma base das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, foi atacada em território do Equador pela Força Aérea da Colômbia. Foram empregados Super Tucanos armados com bombas dirigidas, disparadas a 20 quilômetros de distância dos alvos, enquanto os A-29B estavam no espaço aéreo colombiano. Na operação morreu Raul Reyes, segundo homem na hierarquia da guerrilha. O presidente Rafael Correa considerou o ato uma invasão. E anunciou a compra do mesmo avião para defender seu país.

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