Genebra, 22 jul (EFE).- O Equador não assinará o acordo de modalidades que estabelecerá a redução das tarifas agrícolas dentro da Rodada de Doha se antes não for solucionada a disputa da questão da banana.

"O Equador não poderá concordar com modalidades, mas a banana já está resolvida", disse à Agência Efe um negociador equatoriano que pediu para não ser identificado.

Um grupo de países latino-americanos, entre eles Bolívia, Equador, Costa Rica, Guatemala, Nicarágua, Panamá e Colômbia, rejeitam a tarifa imposta pela União Européia (UE) às importações de banana, que atualmente é de 176 euros por tonelada.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) reiterou em várias decisões que a tarifa européia é contrária às normas da instituição, mas até o momento a UE não as retirou.

No conflito também intervêm países ACP (Ásia, Caribe e Pacífico), que têm preferência de poder exportar banana para a UE com tarifa zero.

Há meses, são realizadas negociações sem se alcançar um acordo.

Esta semana, se reúnem em Genebra ministros de cerca de 30 países em uma tentativa de desbloquearem a estagnada Rodada de Doha, negociada desde 2001.

A idéia era que o assunto da banana fosse resolvido antes do início da negociação, pois muitos temem que este seja um dos temas que evitem o acordo.

"Nós apresentamos aos ACP uma proposta que nos parece razoável, mas até o momento não responderam", declarou a fonte.

A proposta, apresentada no dia 15, estabelece tarifa final de 109 euros, um período de cinco anos para implementação e corte inicial de 35 euros, o que a situaria em 141 euros.

Além disso, os latino-americanos propuseram aos países ACP retirar 30 dos 42 produtos tropicais cujas tarifas deveriam ter um corte maior, de 85% em média, pois são de interesse primordial para os países em desenvolvimento.

"Estamos à espera e continuamos negociando", acrescentou.

A fonte esclareceu que a proposta feita pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, a quem se pediu para atuar como mediador, não convenceu nenhum latino-americano, menos a Colômbia, por isto foi descartada.

A proposta de Lamy coloca uma diminuição da tarifa anual a 150 euros a partir do dia primeiro de janeiro de 2009 e reduções anuais até chegar a 2015 com 116 euros. EFE mh/wr/fal

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