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Equador deixa de pagar dívida externa

SÃO PAULO - O governo do Equador deixou de pagar parte de sua dívida externa. Duas parcelas de juros da dívida que venciam na segunda-feira não foram pagas.

Valor Online |

É o primeiro default na América Latina desde 2002, quando a Argentina interrompeu o pagamento de sua dívida.

A ministra da Economia do Equador, María Elsa Viteri, anunciou que o país não pagou US$ 30,4 milhões, correspondentes aos juros do bônus Global 15, que venceram ontem. O governo recorreu a uma carência de 30 dias. Nada indica, porém, que o valor será pago.

Na sexta-feira, o próprio presidente equatoriano, Rafael Correa, já tinha anunciado que a parcela de US$ 30,6 milhões de outro título, o Global 2012, também com vencimento ontem, deixaria de ser paga. Nos dois casos, o argumento do governo para o calote é que a dívida contém irregularidades, sendo assim ilegítima. Os papéis foram emitidos em desacordo com regras do país, diz Quito.

A decisão não afeta o governo brasileiro, que não possui títulos equatorianos. Mas alimenta uma situação política que pode ser desfavorável ao Brasil. No dia 29 vence a segunda parcela de uma dívida que o Equador tem relativa ao financiamento de US$ 243 milhões feito pelo BNDES para a construção da hidrelétrica de San Francisco. O governo Correa pediu no mês passado à Câmara de Comércio Internacional, em Paris, que faça uma arbitragem da dívida.

"Fica mais difícil politicamente para Correa justificar para a opinião pública o pagamento da dívida com o Brasil, agora que não pagou as parcelas da dívida comercial" , disse ao Valor um funcionário do governo brasileiro que pediu para não ser identificado.

Um estudo recente encomendado por Correa aponta "ilegalidades" e "irregularidades" tanto na dívida comercial (dos títulos) quanto na dívida bilateral com o Brasil. Ministros de Correa, no entanto, têm dito que o Equador continuará pagando as parcelas da dívida brasileira mesmo antes do resultado da arbitragem.

O relatório recomendou ao governo que deixasse de pagar US$ 3,9 bilhões da dívida externa (um quarto do total), referentes aos títulos 2012, 2015 e 2030. Se o fizer, economizará US$ 400 milhões só em 2009 . Em contrapartida, dizem analistas, afastará ainda mais investidores e crédito externo.

Eleito em 2006, Correa aumentou o papel do Estado nos setores de petróleo, mineração e telecomunicações e expulsou a construtora brasileira Odebrecht do país após problemas em San Francisco.

Essas demonstrações de força têm até agora ajudado a manter a popularidade de Correa em alta. Agora, o calote deve ajudá-lo nas eleições presidenciais antecipadas de abril. "Definitivamente sua popularidade vai subir, mas até abril é preciso monitorar o desempenho da economia" , disse Carlos Cordova, do instituto de pesquisa Cedatos-Gallup.

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