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SÃO PAULO - Os equatorianos aprovaram ontem, em referendo, a nova Constituição do país, que concentra poderes no presidente e amplia o papel do Estado na economia. A oposição já ameaçou ontem iniciar movimento por autonomia regional, como o que gerou uma violenta crise institucional na Bolívia.

Segundo uma projeção extra-oficial feita pela grupo Participación Ciudadana, o projeto constitucional foi aprovado por 65% dos votos. A Constituição entra em vigor imediatamente.

" Foi por isso que lutamos tanto e o conseguimos democraticamente " , afirmou o presidente Rafael Correa, que falou em " vitória histórica " . " Hoje o Equador decidiu por uma nova nação. As velhas estruturas foram derrotadas. Isso confirma a revolução cidadã. "
A reforma constitucional foi uma das promessas de sua campanha eleitoral. O novo texto foi redigido por uma Assembléia Constituinte eleita, na qual o governo tinha ampla maioria.

Apesar de ser considerado menos radical que as Constituições propostas na Bolívia, por Evo Morales, e na Venezuela, por Hugo Chávez (esta última rejeitada em referendo popular em dezembro), o novo texto permite, por exemplo, que o governo exproprie empresas que não estejam cumprindo sua função social, conceito vago e não detalhado. Além disso, coloca o Banco Central do país sob comando direto do presidente.

Eleito em 2006, Correa é altamente popular no país. Ele aproveitou a receita extra do petróleo para criar programas sociais. Ele deve convocar eleições gerais para o início de 2009. Pela nova Constituição, terá direito a reeleição, podendo ficar no cargo até 2017.

Para a oposição, a Constituição ampliará as incertezas em relação ao país e prejudicará a economia.

O prefeito de Quito, Paco Moncayo, de oposição a Correa, prometeu apresentar hoje uma proposta de Constituição autonomista para a capital. " Não queremos um país com um patrão, com um amo ou um chefe " , disse.

(Valor Econômico, com agências internacionais)