O Equador anunciou seu desejo de não pagar, por considerar ilegítima, cerca de 30% de sua dívida externa, no momento em que sua principal fonte de renda, o petróleo, vive uma queda sem precedentes no mercado internacional.

O presidente Rafael Correa ressuscitou na quinta-feira uma das velhas bandeiras da esquerda: ajustar contas com os credores que com "enganos, mentiras, títulos espúrios e chantagem" endividaram o país nos últimos 30 anos, com a cumplicidade dos governos precedentes.

Apoiado por uma auditoria nomeada por ele mesmo, Correa disse na véspera que "buscará não pagar" a dívida "ilegal, ilegítima e corrupta", com enfoque para a dívida comercial, que equivale a 30% do passivo total de 10,6 bilhões de dólares (20,6% do PIB).

Esta dívida está representada pelos chamados bônus Global, com vencimento em 2012, 2015 e 2030, que substituíram os bônus Brady durante a renegociação da dívida equatoriana, há oito anos, quando a economia foi dolarizada.

Em meio ao anúncio do possível calote, Correa revelou que iniciou uma ação em Paris para evitar o pagamento de 243 milhões de dólares ao BNDES, que financiou a construção de uma hidrelétrica pela Odebretch.

"Iniciamos o processo jurídico para denunciar o crédito à Odebretch" na Câmara de Comércio Internacional de Paris, anunciou Correa durante a divulgação dos resultados da auditoria sobre a dívida externa.

O BNDES financiou a construção da hidrelétrica San Francisco, que interrompeu suas operações por falhas técnicas apenas um ano depois da conclusão da obra. Devido a isso, Correa decidiu expulsar a Odebrecht do país.

Segundo o governo do Equador, o dinheiro foi fornecido à construtora pelo BNDES, e Quito considera que a dívida não é de sua responsabilidade.

Após a decisão de Correa, Brasília convocou para consultas seu embaixador em Quito, Antonino Marques Porto, para manifestar seu incômodo com a situação.

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