RIO - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse hoje que deve entregar em 60 dias ao Ministério de Minas e Energia um estudo de viabilidade sobre um leilão para geração de energia a partir de parques eólicos. Ele afirmou que, caso o Ministério decida pela realização da licitação, ela só deve ocorrer no ano que vem.

O executivo descartou qualquer possibilidade de subsídio à geração eólica e afirmou que o modelo energético hoje é baseado apenas na competição e nas menores tarifas.

Tolmasquim ressaltou que a energia eólica ainda é mais cara do que concorrentes, como a hidrelétrica e a termelétrica, mas ponderou que qualquer leilão terá como base uma tarifa competitiva. Não haverá subsídio para a energia eólica, pois hoje é tudo por leilão. A competição é que é a base do novo modelo, frisou o presidente da EPE, acrescentando que programas como o Pró-Infra (para melhoria da qualidade de vida nas cidades mediante a reestruturação de sua infra-estrutura urbana) foram importantes no passado, mas atualmente não fazem parte da estratégia do setor.

Ele apresentou hoje na sede do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) o Plano Nacional de Energia (PNE) 2030 a representantes do setor. O plano, que já havia sido divulgado pela EPE, contempla o aumento da participação do etanol na matriz energética do país até 2030.

Apesar de ter sido elaborado antes das descobertas da Petrobras no pré-sal, Tolmasquin assegurou que o petróleo deve reduzir sua participação na matriz energética no futuro. Ele disse que o plano deve ser revisado até o fim do ano que vem e ponderou que o esperado aumento da capacidade de produção de petróleo no Brasil deve ser refletir principalmente com alta de vendas ao exterior.

Na interpretação do executivo, mais produção não será sinônimo de um aumento relativo nas vendas no país, uma vez que os derivados de petróleo seguem de alguma maneira a tendência internacional dos preços.

Tolmasquim também não acredita que o etanol vá virar commodity no médio prazo já que, para isso, seria preciso que outros países além do Brasil tivessem grande capacidade de produção do combustível, o que não ocorre hoje.

Sem revelar números, ele disse que a revisão do plano deve comportar a tendência de elevação da produção de etanol no Brasil. Para Tolmasquim, as projeções atuais para a produção do produto são conservadoras. Pelo PNE atualmente em vigor, a produção em 2030 deve atingir 66,6 bilhões de litros por ano para um consumo de 54,7 bilhões de litros anuais. Em 2005, esses patamares foram de 16 bilhões de litros e 14 bilhões de litros, respectivamente.

O plano apresentado pelo representante da EPE prevê que os derivados de petróleo devem passar de 39% de participação na matriz energética brasileira em 2005 para 29% em 2030, enquanto o etanol e outros derivados de cana devem subir de 14% para 18%.

(Rafael Rosas | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.