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ENTREVISTA-Redução da oferta deve pressionar preço dos metais

Por Peter Murphy SÃO PAULO (Reuters) - Os preços dos metais devem disparar quando a demanda se recuperar, devido a limitações na oferta impostas pela demora em ampliar a produção, disse um consultor do setor na terça-feira.

Reuters |

"Talvez em dois ou três anos possamos novamente ver um mercado desabastecido e tenhamos rápidos aumentos nos preços dos metais", disse Magnus Ericsson, co-fundador da consultoria de commodities Raw Materials Group.

A maioria dos metais se desvalorizou devido ao temor de uma recessão global e ao desaquecimento econômico da China, fatores que geram uma redução na demanda.

O níquel agora custa apenas um quinto do que valia em maio de 2007, e o cobre caiu pela metade desde que atingiu seu recorde de 8,940 mil dólares por tonelada, em julho deste ano.

Diante disso, mineradoras como a Vale decidiram reduzir a produção em todo o mundo, enquanto empresas menores devem enfrentar dificuldades para prospectar e explorar novas minas devido à escassez de crédito bancário.

"No longo prazo, minha visão é positiva, e no médio prazo vejo a possibilidade de outro 'boom' no preço dos metais, e não o contrário (uma queda)", disse Ericsson por telefone de Belém (PA), onde na terça-feira participa de uma conferência sobre mineração.

Com seus vastos recursos minerais, o Brasil é um dos maiores produtores do mundo, mas o entusiasmo das mineradoras nacionais com novas jazidas descobertas em áreas como o sul do Pará está arrefecendo.

As pequenas mineradoras provavelmente terão de adiar projetos devido à escassez de crédito. E, quando os empréstimos voltarem, o tempo gasto até suprir a demanda pode provocar uma escassez de alguns metais.

"Do momento em que você encontra alguma coisa até que realmente vire uma mina pode ser de 8 a 10 anos. Se a resposta da oferta não for contínua, teremos altas de preços e veremos mais volatilidade de preços", disse Ericsson.

De acordo com ele, projetos já iniciados devem ser mantidos, pois a perspectiva para um ou dois anos pode ser diferente da atual, mas os outros devem ser arquivados.

A China, que tem liderado a demanda global por metais, está crescendo menos devido à atual crise global, mas não entrou em recessão.

"A demanda continua forte. O lado da oferta, com uma acentuada queda na exploração, é talvez um pouco perigoso, já que uma falta de novos depósitos em breve pode surgir", disse ele.

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