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Por Rachna Uppal ABU DHABI (Reuters) - O Itaú Unibanco já passou pelo pior momento da inadimplência e não pretende aumentar as provisões para maus pagadores no quarto trimestre, disse o presidente do Conselho de Administração do banco, Pedro Moreira Salles, em entrevista à Reuters.

Ele afirmou que o pico da inadimplência ocorreu alguns meses atrás e que não espera surpresas ruins no balanço do banco no fim do ano.

"Nós acreditamos que vimos o pico da inadimplência entre os segundo e terceiro trimestres", disse ele na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dabhi.

"As condições para bons créditos e portfólios estão aí e vemos a inadimplência diminuindo e revertendo para onde ela estava antes de setembro de 2008", afirmou, referindo-se ao mês de agravamento da crise global devido ao colapso do Lehman Brothers.

Moreira Salles não fez previsão para o lucro do Itaú Unibanco no quarto trimestre, mas afirmou que o período será "muito positivo".

"O fim do ano normalmente é um bom momento para a atividade econômica e normalmente é o mais forte para os bancos."

"O portfólio de crédito está melhorando e os negócios estão se recuperando. Estamos vendo volumes recordes... A tendência é muito boa."

Questionado sobre se haveria um aumento das provisões neste último trimestre de 2009, ele disse que não.

O banco --que foi formado quando o Itaú comprou o Unibanco, seu concorrente menor, em acordo inteiramente com ações no ano passado-- figura agora como uma das 15 maiores instituições financeiras do mundo em valor de mercado.

Seu braço de banco de investimentos se beneficiou de uma retomada na atividade de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês). A recuperação na Bovespa e a melhora na economia vai apoiar mais IPOs em 2010, disse Moreira Salles.

"Do ponto de vista de ofertas públicas, o Brasil provavelmente será o líder", disse ele, em referência aos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

"As pessoas estão mais familiarizadas com o mercado, as regras estão muito claras e a BM&FBovespa é uma grande bolsa de valores neste momento. E nós vemos um grande leque de projetos de ofertas de ações."

Apesar de o número de transações ser grande, o volume financeiro provavelmente não vai atingir os mesmos níveis vistos em 2009. O Brasil teve dois dos três maiores IPOs do mundo neste ano, mas o presidente do Conselho do Itaú Unibanco disse que volumes como os vistos nas ofertas de ações de Santander Brasil e VisaNet não são característicos do mercado.

"Pessoas vindo ao mercado pela primeira vez ou voltando à bolsa para vender ações é algo que veremos," disse Moreira Salles.

O banco, que tem aspirações de crescimento, já disse que iria parar com as aquisições até que a integração do Itaú com o Unibanco esteja concluída, o que deve levar mais um ano.

Salles disse em Abu Dhabi que não há planos para uma expansão maior do banco na região do Golfo no momento. Ele também disse que a Índia é um mercado no qual o banco está interessado para o futuro.

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