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Por Peter Murphy SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil, maior produtor mundial de café, deve passar ileso pelo período de risco geadas nesta safra, disse o meteorologista Celso Oliveira, da Somar, na terça-feira.

Uma séria ameaça de geada ocorreu em meados de junho, quando uma frente fria derrubou a temperatura a alguns graus acima de zero. Mas as mínimas noturnas se elevaram na última quinzena, eliminando o risco imediato desse tipo de ocorrência.

Segundo Oliveira, o risco de geada está 'praticamente' descartado para o resto da temporada 2008/09.

Ele afirmou que nenhuma das áreas já atingidas por geadas nas regiões cafeeiras do Brasil costumam registrar o fenômeno após 15 de agosto, citando estudos que remontam pelo menos as últimas décadas do século 20.

As geadas não danificam os grãos em desenvolvimento nas plantas, mas podem quebrar a produção na safra seguinte.

As regiões cafeeiras do Brasil têm ficado livres das geadas desde a última ocorrência mas séria, em 1994, mas o risco de congelamento cresceu neste ano por padrões climáticos coincidentes que estão associados a condições mais frias.

Desde que a grande geada de 1975 destruiu cafezais no Paraná, que então contava com dois terços da produção nacional, a maior parte dos cafeicultores migrou para áreas de clima mais ameno em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

CHUVAS EM TEMPO

Oliveira disse que outra preocupação para os produtores -- a chegada tardia de chuvas que ocorreu no ano passado e que atrasou a atual colheita -- estava quase descartada para esta safra.

'A boa notícia para os produtores é que as chuvas não devem atrasar... No ano passado houve atraso, mas neste ano não haverá', disse ele, explicando que o fenômeno climático La Niña, responsável pelos atrasos em 2007, não ocorre neste ano.

'As chuvas nas regiões cafeeiras devem voltar entre o fim de setembro e começo de outubro', disse.

No ano passado, as chuvas tardias atrasaram a safra 2008/09 em pelo menos quatro semanas, e a colheita está apenas começando a ganhar ritmo. Choveu nas regiões cafeeiras na semana passada, interrompendo semanas de tempo seco, mas isso não atrapalhou a colheita.

As chuvas após uma seca prolongada podem causar uma florada precoce nas árvores, o que atrapalha o trabalho de colheita, porque os novos grãos aparecem no mesmo cacho daqueles que estão prontos para ser colhidos.

'A maior parte das regiões produtoras não teve chuvas suficientes para provocar a florada, mas em São Paulo elas foram pesadas', disse Oliveira, que afirmou que o resultado das chuvas recentes deve ficar mais claro nas próximas semanas.

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