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ENTREVISTA-Crédito ainda não voltou ao normal, avalia Mantega

Por Isabel Versiani e Daniela Machado SÃO PAULO (Reuters) - As medidas adotadas pelo governo para prover liquidez ao mercado diante da crise financeira global ainda não foram suficientes para trazer o crédito de volta à normalidade no país e novas iniciativas serão adotadas, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à Reuters.

Reuters |

Apesar do obstáculo do financiamento, o crescimento econômico ainda não está ameaçado, o que afasta, segundo Mantega, a necessidade de o país abandonar a idéia de cumprir um superávit primário equivalente a 4,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

"No Brasil, as medidas que foram tomadas ainda não foram suficientes para estabelecer um nível de crédito satisfatório, então nós temos que tomar medidas complementares e vamos tomando à medida que surgem os problemas, é assim que nós estamos agindo", afirmou o ministro.

Entre as iniciativas possíveis, Mantega citou reduções adicionais dos recolhimentos compulsórios de depósitos bancários. Mas ele acrescentou que ainda é necessário aguardar para avaliar o impacto efetivo de medidas mais recentes, como a disponibilização de linhas de empréstimos em dólar do Banco Central direcionadas ao financiamento de exportações.

"Por um lado, a gente não tem que se precipitar, demora mesmo para irrigar. Agora, caso não seja suficiente, nós temos mais bala na agulha, nós temos mais munição para tomar outras medidas. Colocar mais compulsório, enfim, colocar mais liquidez".

O Banco Central já promoveu, desde outubro, diversas reduções dos depósitos que os bancos são obrigados a recolher à autoridade monetária, em um esforço para aumentar os empréstimos interbancários, duramente afetados pela crise.

Em outra frente, o BC também passou a oferecer empréstimos em dólares aos bancos.

PRONTO PARA AGIR

Mantega defendeu a adoção de políticas anticíclicas em nível global para evitar que a recessão econômica mundial se transforme em depressão. Ele afirmou, no entanto, que a situação econômica do Brasil não demanda políticas expansionistas, uma vez que o país permanece em crescimento, e o governo não pretende alterar sua meta fiscal de 2009.

"Não mudou nenhum parâmetro do ano que vem. Continua o mesmo parâmetro, 3,8 (por cento), com a possibilidade de fazer 0,5 ponto de fundo soberano, a intenção (de fazer 4,3 por cento) permanece", afirmou.

O ministro acrescentou que, por contar com juros elevados, o país tem atualmente mais margem de manobra para agir do que países como os Estados Unidos.

"Os Estados Unidos já colocaram um monte de liquidez, (mas) eles têm 1 por cento de taxa de juros, só podem baixar 1 por cento. Nós aqui temos 13,75 (por cento), nós temos muito mais margem. Então nós não hesitaremos em fazer política monetária e política fiscal (anticíclica) caso haja uma retração da economia".

Ele reiterou, ainda, acreditar que o pior da crise já passou.

"A volatilidade continua, mas é menor que em setembro e outubro e você não tem nenhuma instituição quebrando".

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