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ENTREVISTA-Após um mês, AZUL mira 3o lugar e lucro ainda em 2009

Por Aluísio Alves e Todd Benson SÃO PAULO (Reuters) - Com apenas um mês de operação e no meio de uma forte desaceleração econômica, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras faz planos de tornar-se lucrativa e ocupar a terceira posição no ranking do setor aéreo do Brasil já no final de 2009, disse à Reuters nessa quinta-feira o chairman e fundador da companhia, David Neeleman.

Reuters |

Para ele, a crise poderá até facilitar a obtenção desse objetivo. Segundo o empresário, fundador da norte-americana JetBlue, que inseriu nos EUA o conceito de "baixo custo, baixa tarifa", essa especialidade da Azul será uma vantagem na concorrência com as gigantes TAM e Gol, que dominam 92 por cento do mercado doméstico no Brasil.

"Agora estamos numa posição melhor do que antes da crise, porque o preço do combustível menor compensa o prejuízo com perda de passageiros. Prefiro mais ter o preço do petróleo e o juro baixo, mesmo com recessão, por que você abaixa o preço das passagens para incentivar as pessoas a viajar", afirmou.

Com 730 funcionários e cinco aeronaves operando quatro rotas saindo de Campinas (Salvador, Vitória, Porto Alegre, Curitiba), a companhia recebe outras três aeronaves até o final deste mês e faz planos de chegar ao fim de 2009 operando 14 destinos, já atingindo o break even.

"É lógico que isso depende de uma série de fatores que são difíceis de julgar, como a crise, mas nós não entramos nesse mercado para perder dinheiro", disse.

Um desses fatores é a falta de crédito bancário, que levou a Azul a reduzir de 16 para 14 a expectativa quanto ao número de aviões em operação no final do ano.

"O mercado está completamente fechado e vai melhorar dentro de seis a oito meses. Nós chegamos a falar em 16 aviões para o final do ano, mas nesse ambiente é melhor crescer mais devagar", declarou, observando que a companhia está finalizando um empréstimo de 50 milhões de dólares com o BNDES.

OPORTUNIDADE PARA VOAR

Outra nuvem no céu da Azul é a resistência do governo do Rio de Janeiro para operar no Santos Dumont, aeroporto a partir do qual a Azul quer distribuir voos para o país. O governador Sérgio Cabral (PMDB) quer que a companhia opere no Estado a partir do Galeão, o que inviabilizaria a operação de diversas rotas. Gol e TAM estariam engrossando o lobby contra a Azul, diz.

"Acredito que o mercado de aviação no Rio seria bem maior se as pessoas pudessem viajar a partir do Santos Dumont. Esse argumento de que se abrir o Santos Dumont vai esvaziar o Galeão não é verdade", declarou.

Na semana que vem, a Azul tem uma audiência com a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para tratar do assunto. "Se a gente conseguir isso, vamos ter muito mais rotas do que temos hoje", avalia. Simultaneamente, a empresa aguarda aval da Anac para operar em Congonhas e Cumbica, em São Paulo.

Para Neeleman, a Azul vai funcionar para "quebrar" o que poderia ser considerado um duopólio de TAM e Gol, embora esta última quando foi lançada tenha iniciado suas operações como uma companhia de baixo custo.

Mas Gol e TAM não são os únicos concorrentes da Azul. Segundo Neeleman, a companhia também vai crescer roubando passageiros que hoje viajam de ônibus, já que oferece tarifas semelhantes às cobradas nas rotas rodoviárias, com mais conforto e mais rápido. É a aposta da empresa para compensar o declínio nas viagens de negócios, que devem cair com a crise.

"A ponte aérea Rio-São Paulo é a quarta rota mais movimentada do mundo. Então não venha me dizer que os brasileiros não voam, porque eles fazem quando você lhes dá oportunidade", considerou.

Um dos desafios para emplacar custos menores é ampliar as vendas de passagens diretamente para os passageiros, via Internet. Hoje no Brasil, cerca de 70 por cento das emissões de bilhetes são feitas via agência de viagens, porque muitos dos clientes não dispõem de cartão de crédito.

De olho no público de alta renda do interior paulista, Neeleman acredita que a expansão do tráfego no aeroporto de Campinas, que já cresceu 30 por cento apenas nas últimas duas semanas de dezembro depois da estréia da Azul, irá a 100 por cento já no mês que vem.

Para estimular a migração de ônibus para avião, a companhia aposta no serviço, que vai incluir TV ao vivo nas aeronaves a partir do segundo semestre deste ano.

Outra tática adotada é a de facilitar o acesso dos passageiros saindo de São Paulo. A Azul inaugurou na quarta-feira uma rota de ônibus que sai nove vezes por dia do Shopping Villa-Lobos, na capital paulista, para o aeroporto de Campinas, a cerca de 80 quilômetros de distância.

"Se tem passagem da Azul, você vai de graça, com Internet e televisão. A partir de fevereiro vamos cobrar 20 reais pelo serviço. Mas se fosse de táxi, seriam 250 reais", compara.

(Edição de Alexandre Caverni)

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