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BRASÍLIA - Apesar da contínua alta dos índices de preços, os reajustes das tarifas de energia elétrica que serão discutidos em 2009 não devem ser motivo de maiores preocupações para o Banco Central, segundo avaliação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O indicador utilizado no reajuste das tarifas é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), mas o impacto da alta apurada não será completamente repassado ao consumidor.

'Essa análise simplista de que o setor elétrico segue o IGP-M não é verdadeira', afirmou o diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, em entrevista à Reuters.

No último levantamento feito pelo BC com analistas de mercado, as projeções para a variação do IGP-M indicavam uma alta de 11,92 por cento para o índice em 2008.

Mas a variação do índice gera impacto em apenas 25 por cento da conta final de luz. 'O resto são custos que ela (distribuidora) arrecada e passa adiante... é para pagar a geração, a transmissão, impostos', disse Kelman.

Alguns desses custos têm sofrido reajustes negativos, como é o caso da energia comprada de Itaipu, que segue a variação do câmbio. Com a desvalorização do dólar, que atingiu 17 por cento no ano passado e acumula este ano uma queda de 10 por cento, o efeito é positivo em termos de inflação.

As revisões tarifárias, feitas de quatro em quatro anos, também devem contribuir para que o impacto da conta de luz na inflação ao consumidor seja mais ameno.

Boa parte das grandes distribuidoras já fez suas revisões, que produziram queda no valor das tarifas, como foi o caso da Eletropaulo, com uma redução de 12,66 por cento, e a da Cemig, de 17,11 por cento.

'Muitas concessionárias tiveram um degrau pra baixo esse ano e outras vão ter no ano que vem'.

A inflação ao consumidor em 2008 disparou, e analistas já apostam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) --que baliza a política de metas de inflação-- fechará o ano praticamente no teto da meta, que é de 6,5 por cento.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, reiterou nas últimas semanas que fará tudo o que for necessário para colocar a inflação de volta ao centro da meta em 2009, que é de 4,5 por cento.

ENERGIA PARA CRESCER

O risco de falta de energia, que poderia contribuir para uma desaceleração econômica, também foi minimizado por Kelman.

No início do ano, o diretor-geral da Aneel chegou a alertar sobre os riscos de racionamento de energia em 2008, por conta da falta de chuvas em algumas regiões do país. Cerca de 85 por cento de toda energia produzida no Brasil é proveniente de hidrelétricas.

'Para 2009 eu estou mais tranquilo, acho que o momento preocupante foi realmente no início do ano', disse.

Além da retomada das chuvas, Kelman afirmou que a entrada em operação das termelétricas --ao custo de 1 bilhão de reais-- ajudou a melhorar o cenário. A oferta de energia produzida a partir de biomassa, como o bagaço da cana-de-açúcar, também dá alento à visão mais otimista do chefe do orgão regulador.

No final do mês, será realizado um leilão desse tipo de energia, e Kelman acredita que o impacto para 2009, em termos de energia disponível ao sistema, já será significativo.

'Não estou aqui dizendo que a probabilidade (de problemas) é zero... somos hidrelétricos... e o risco hidrológico puro é de 5 por cento', disse.

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