Um gigante emergente volta seus olhares para o Brasil. O conglomerado indiano Tata estuda novos investimentos no País.

Por enquanto, a companhia está presente apenas no setor de tecnologia da informação, um entre tantos outros em que atua mundo afora. Por meio da Tata Consultancy Services (TCS), emprega 6 mil funcionários na América Latina, com dois centros de desenvolvimento no Brasil.

Mas novos projetos estão sendo avaliados, como revelou Alan Rosling, diretor executivo da holding do grupo, a Tata Sons. "O Brasil é um lugar atrativo para qualquer companhia", disse. "O País está na nossa lista de tarefas."

Cauteloso, o executivo não abre nenhum outro detalhe. Tomando o perfil do grupo, sabe-se que as possibilidades são diversas. Criada em 1868 por Jamsetji Tata, a empresa atua em áreas como comunicações, engenharia, energia, serviços, consumo, química e siderurgia. Nesse último ramo, ganhou visibilidade no Brasil no ano passado ao desbancar a CSN na disputa pela Corus.

Com 350 mil funcionários pelo mundo, fatura US$ 62,5 bilhões por ano e suas 27 empresas de capital aberto valem US$ 60 bilhões. Após participar do "Emerging Markets Summit 2008", realizado hoje pelo The Economist Group em Londres, Alan Rosling concedeu a seguinte entrevista exclusiva à Agência Estado:

Agência Estado - A Tata tem a intenção de fazer algum projeto novo no Brasil?

Alan Rosling - Estamos olhando para o Brasil, para algumas indústrias.

AE - De qual tipo?

Rosling - Prefiro não comentar. Mas o Brasil é claramente um país que identificamos, é enorme, tem uma classe média crescendo rapidamente e uma grande população. É um lugar atrativo para qualquer companhia.

AE - Inclusive para a Tata?

Rosling - Inclusive para nós, que estamos do outro lado do mundo, com uma cultura muito diferente. Mas precisamos agora nos tornarmos mais sérios em relação ao Brasil. O País está na nossa lista de tarefas. É um lugar maravilhoso com enormes oportunidades. Mas não é muito fácil para os estrangeiros.

AE - Por quê?

Rosling - Desde coisas básicas, como a língua. Nós não falamos português e é claro que a elite do Brasil fala inglês, mas indo mais além, não. Há alguns setores com certo nível de regulação. É um mercado muito competitivo, com companhias muito profissionais.

AE - Como no setor de siderurgia?

Rosling - Por exemplo, mas em outros também. O mercado não é fácil. Mas eu acredito que teríamos sucesso se investíssemos no longo prazo.

AE - Quando será possível ter novidades sobre novos projetos da Tata no Brasil?

Rosling - Não posso dizer. Há muito trabalho a ser feito e o momento precisar ser o certo. Existe a intenção, mas como e quando faremos eu não sei.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.