No lançamento do Classe E Cabriolet, mês passado, a Mercedes-Benz colocou à disposição dos jornalistas um especialista de cada área para falar do novo carro. Uma pessoa de design, outra de segurança, etc.

E, acredite se quiser, quem respondia sobre motores não era nenhum alemão carrancudo, mas a simpaticíssima gaúcha Sandra Nascimento Ganser, engenheira eletrônica que trabalha há 15 anos na matriz da montadora, em Stuttgart.

Como é que uma engenheira eletrônica brasileira foi parar numa montadora alemã, num setor dominado por engenheiros mecânicos homens?

Saí do Brasil com 26 anos, para fazer um estágio na Asia Brown Boveri alemã. Voltei para me formar em engenharia eletrônica e logo em seguida fui de novo à Alemanha para trabalhar na Bosch, na área de componentes automotivos. Minha função foi automatizar o sistema do banco de provas. Depois desse período, fui para a Mercedes-Benz.

Você já entrou direto para atuar na área de motores?

Não, eu fiquei três anos no departamento de pesquisas eletrônicas, em aparelhos de detecção de falhas, para as oficinas. Só aí fui para o setor de motores.

Você é a única mulher hoje no seu departamento?

Na parte técnica, de calibração, sim. Sempre fui a única nos testes também. Já tive uma estagiária brasileira comigo. Mas são poucas mulheres, lamentavelmente.

Você já era interessada em carros antes de ir para a Mercedes?

Meu pai é engenheiro mecânico e o hobby dele sempre foram os carros. Na minha infância, lembro dos sábados que meu pai passava com os amigos, fuçando em carros. Mas a minha área nunca foi essa. Minha única experiência com motores era com a minha Garelli (um ciclomotor), que ganhei com 13 anos e sempre consertava. Meu primeiro carro foi um "Fuca" e meu pai nem tocava nele, por não gostar. Algumas coisas nele eu arrumava, mas outras o meu pai sentava e dizia pra mim o que tinha de fazer. Então, minha pouca bagagem automotiva veio pelo meu pai. Meu mundo mesmo era de bits e bytes, mas aos poucos fui me apaixonando pelos motores.

A Mercedes continua desenvolvendo o Diesotto (motor com características dos ciclos Otto (gasolina, por exemplo) e Diesel?

Sim, ele é um dos caminhos que estão em pesquisa, ao lado de fontes alternativas de energia como a eletricidade e o hidrogênio. Mas a injeção direta e o turbo são as prioridades hoje em dia.

E o etanol?

Nós temos o E85 (mistura de 85% de etanol e 15% de gasolina) nos V6 3.0 e 3.5 há alguns anos nos Estados Unidos e o interesse pelo combustível está crescendo muito. Por isso, a Mercedes está trabalhando no E100, que deverá estar no mercado a médio prazo.

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