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Entrevista: #145;Alguma desaceleração terá de ocorrer #146;

O Brasil encerrou 2009 crescendo a um ritmo superior a 8% ao ano, o que é insustentável no médio e longo prazos. A avaliação é do economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn.

Agência Estado |

"Vamos precisar desacelerar para poder estender (o ciclo)", afirmou. Segundo ele, o País não consegue manter o nível de crescimento do fim do ano passado porque tem alguns gargalos. O principal deles é a infraestrutura. "Precisamos de investimento em bens públicos: portos, rodovias, etc", disse Goldfajn. Nas contas do Itaú Unibanco, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 6% neste ano e 4,9% em 2011. O economista acredita que o BC começará a elevar a taxa básica de juros (Selic) já neste mês.

O que os dados do PIB do 4º trimestre apontam para 2010?

Indicam que a economia começou 2010 em um ritmo muito forte, superior a 8% de crescimento ao ano. Por isso, vamos precisar desacelerar para poder estender (o ciclo). Precisaremos trabalhar em cima desse crescimento para ter uma expansão sustentada por vários anos. Nossa projeção é de uma alta do PIB de 6% neste ano e de 4,9% no ano que vem. Como se vê, não estamos falando de 8%. Portanto, alguma desaceleração ocorrerá. Uma parte desses 6% é um legado estatístico do ano passado, chamado tecnicamente de carry-over. Estimamos que seja de 2,7%, ou seja, quase metade do crescimento esperado para o ano.

Essa desaceleração que terá de ocorrer será natural ou dependerá de um aperto na política monetária, com elevação dos juros?

Uma parte será natural, porque o crescimento logo após uma recessão é mesmo mais rápido. Também é verdade que alguns dos estímulos que foram colocados no ano passado terão de ser retirados ou já estão sendo retirados. Por exemplo, o superávit primário vai subir, as reduções de impostos já estão mudando, o compulsório já voltou, a taxa de juros vai subir - na nossa opinião, já neste mês, mas, no mais tardar, em abril. Acreditamos que, ao final do ciclo de altas, a taxa Selic estará em 11,50%. Enfim, uma parte será natural e outra, via retirada de estímulos.

A economia já retornou ao nível em que estava no terceiro trimestre de 2008?

Sim. O Brasil se recuperou rapidamente e já está no nível de antes da crise. Com relação às consequências da crise, é algo que todos os países terão de enfrentar ao longo da década. Os Estados Unidos estão com dívida alta, países da Europa também. Haverá menos crédito em decorrência da agenda de mais regulação. Em resumo, haverá menos crescimento dos países avançados. Nós vamos ter de nos adaptar a um mundo novo. O crescimento virá dos países emergentes, da periferia.


Nesse modelo, qual o papel do mercado interno?

É o que a gente chamou, em um texto escrito em maio do ano passado, de procura pelo consumidor de última instância. Está ficando claro quais países têm essa dinâmica própria para crescer. O crescimento via exportação será mais difícil.

Quais são os riscos para esse cenário?

Uma crise nos países europeus. Ou seja, esse problema da dívida, em vez de ser algo que vai levar a um crescimento menor, acabe levando a uma crise de dívida. Isso provocaria uma fuga de capitais, a aversão ao risco subiria etc.

Por que o Brasil não consegue sustentar o ritmo de crescimento do 4º trimestre?

O País tem alguns gargalos. O primeiro é a infraestrutura. Precisamos de investimento em bens públicos: portos, rodovias, etc. Temos restrições no lado da capacidade de financiar esse crescimento. Os recursos devem estar aí para criar o bem de consumo que vai financiar o consumo, para criar os bens exportados. Ou seja, precisamos daquilo que se chama poupança. No entanto, nos últimos anos, assistimos a um crescimento dos gastos correntes (do governo), o que tem feito com que os juros não caiam tão rápido quanto poderiam. De um lado, esse crescimento excessivo dos gastos fez com que se investisse pouco em infraestrutura. De outro, pressionou as variáveis macroeconômicas que impediram um crescimento maior do País.

Os investimentos cresceram fortemente no 4º trimestre. O que isso significa em termos do chamado PIB potencial?

O investimento está se recuperando e há um boom de investimentos no País. Tudo indica que vamos por esse caminho, a não ser que os gargalos nos prendam em algum momento. As empresas estão investindo. O que temos observar nos próximos anos é se vamos eliminar esses gargalos.

O ano de 2010 será, portanto, bom para a economia brasileira?

Será um ano bom, mas com muita volatilidade.

Também na economia real ou apenas no mercado financeiro?

Na economia real haverá alguma volatilidade, mas menos do que no mercado financeiro. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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