Uma das medidas do projeto que visa a reduzir a emissão de poluentes é incentivar o uso de veículos não poluentes - entre eles o trólebus. Ônibus movido a energia elétrica utilizado em São Paulo desde 1949, o veículo começou a entrar em desuso em 2003.

Depois de entrar nos anos 2000 com 555 veículos circulando em 25 linhas, fechou o ano passado com 213 em 12 linhas. Por isso, o possível estímulo ao uso de trólebus foi comemorado por especialistas.

Para Airton Camargo, assessor técnico da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) e coordenador do Grupo de Trólebus da entidade, extinto há sete anos, a sinalização da Prefeitura pode marcar uma nova fase do ônibus elétrico. "Nos corredores, pode funcionar com mais eficiência e com impacto mais perceptível." O consultor de trânsito Jaimes Waisman diz que em corredores bem pavimentados, com a rede elétrica conservada e motoristas treinados, os problemas do trólebus - principalmente desprendimento do cabo com o fio - não ocorrem.

Jorge Morais, integrante da ONG Respira São Paulo, que realiza um lobby pró-trólebus, lembrou que o projeto publicado no Diário Oficial da Cidade de ontem foi feito pela mesma gestão responsável pela realização de vários leilões de trólebus, que, segundo ele, foram vendidos a "preço de sucata".

Stela Goldenstein, secretária adjunta de Governo, justificou que os leilões foram estratégia para "eliminar a frota sucateada". Ressaltou que já está aberto processo de compra de 150 trólebus, que devem circular no corredor da Avenida Celso Garcia, na zona leste da capital. "Para o trólebus ser largamente usado, é preciso contrapartida do governo federal. A cobrança da tarifa de energia para o horário de pico não pode ser a mesma do chuveiro elétrico", defendeu.

O secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, comparou o trólebus ao nadador americano Michael Phelps, o atleta com maior número de medalhas de ouro na história dos Jogos Olímpicos (11 somente até a noite de ontem). "O trólebus ganha todas as medalhas de ouro em termos de limpeza."

Fretados

A proposta da Prefeitura ainda prevê a regulamentação de circulação, parada e estacionamento de ônibus fretados e a criação de bolsões de estacionamento. A medida aliviaria alguns dos principais corredores de tráfego de São Paulo, como as Avenidas Paulista e Domingos de Morais.

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