SÃO PAULO - A Sociedade Interamericana de Imprensa (SII) declarou ontem profunda preocupação com a intervenção decretada pelo governo do Equador a três emissoras de TV do país e disse que a mudança editorial da programação representa um grave atropelo ao direito do público à informação .

As emissoras - tidas como críticas ao presidente Rafael Correa - foram alvo na terça-feira da intervenção porque seus proprietários seriam também os donos de um banco que faliu em 1999 deixando uma dívida de US$ 661 milhões com o Estado. Em editorial ontem, o jornal El Universo sugeriu que o governo quer controlar as TVs antes do referendo de setembro sobre a nova Constituição.

O governo disse ontem que descarta a hipótese de estatizar as emissoras e que a intervenção das TVs é parte de uma ação mais ampla que colocou sob embargo um total de 195 empresas dos ex-banqueiros e irmãos William e Roberto Isaías Dassum, acusados de terem quebrado o Filanbanco. Os dois moram nos EUA.

A ministra da Economia, Wilma Salgado, disse que o governo não tem intenção de interferir na liberdade de imprensa nem controlar os canais. Segundo o jornal Hoy , TC Televisión e a Gamavisión transmitiam sua programação normalmente - embora a presença policial nos prédios continuasse. Mas a Cablevisión não transmitiu seus programas de notícias da manhã.

(Valor Econômico, com agências internacionais)

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