Mesmo com a interrupção do ciclo de elevação da taxa básica de juro brasileira, a Selic, as principais associações empresariais e sindicais do país criticaram a decisão do Banco Central. Para essas entidades, o Comitê de Política Monetária (Copom) deveria ter reduzido a taxa, que permaneceu em 10,75% ao ano.
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“A manutenção dos juros frustrou as nossas expectativas. Esperávamos que o ciclo de redução começasse na reunião que terminou há pouco”, afirma o presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade.
Assim como a CNI, outras associações empresariais, como a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), entendem que a inflação está sob controle e que há espaço para a redução do juro.
A Força Sindical afirmou ainda que a decisão do BC é um “obstáculo ao desenvolvimento do país. “A manutenção dos juros em patamares estratosféricos é contrária a qualquer projeto de estímulo da retomada do crescimento econômico”, disse Miguel Torres, presidente em exercício da entidade.
Entidades pedem redução em outubro
A realização de investimentos para ampliar a capacidade instalada das indústrias permite que a economia cresça sem pressionar a inflação e abre a possibilidade para uma redução na taxa básica de juros, afirmou a Firjan, em nota.
Já a Fecomercio teme um arrefecimento da economia e pede, em seu comunicado, que o Banco Central inicie um ciclo de queda na Selic na próxima reunião do Copom, que será realizada nos dias 19 e 20 de outubro. “Não há evidências de superaquecimento que justifique uma taxa de juros de dois dígitos. Nos próximos meses, o Banco Central vai ter dificuldades em achar explicações para não baixar a Selic”, afirma a entidade.
Para empresários, elevação do juro no início do ano foi erro
A “parada técnica” no ciclo de alta dos juros está atrasada, diz a Fecomercio. Para a federação, o BC deveria ter mantido os juros há quatro meses, em vez de elevá-los.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também afirma que o Copom errou o diagnóstico sobre a inflação no início do ano. “Tivemos uma desnecessária alta de juros e, agora, essa tendência é suspensa pelo organismo do Banco Central. Ganharam os que recebem rendimentos financeiros e perderam os consumidores e empresas que pagam mais pelo crédito utilizado para fazer o País crescer, gerando emprego e renda”, disse o empresário Benjamin Steinbruch, atual presidente da Fiesp e da siderúrgica CSN.
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