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Ensino é o 3º setor em fusões no País

A educação já é a terceira área em que mais ocorrem fusões e aquisições no País. Impulsionados pela venda de suas ações na Bolsa de Valores, grandes grupos de universidades compraram 30 instituições de ensino superior só no primeiro semestre.

Agência Estado |

Em todo o ano de 2007, tinham sido 19 transações, de acordo com levantamento feito pela consultoria KPMG. Para os estudantes, os novos negócios podem significar mensalidades mais baixas e melhor estrutura.

Esse crescimento fez com que, pela primeira vez, o número de aquisições na área de ensino superior fosse quantificado. Até então, eles se enquadravam na pesquisa da KPMG na categoria de "outros". Apenas as áreas de tecnologia de informação e de alimentos/bebidas/cigarros tiveram mais aquisições que a educação brasileira.

O quadro foi motivado principalmente pela abertura de capital recente de quatro grupos educacionais: Anhanguera, do interior de São Paulo, Kroton, conhecida pelo sistema de ensino Pitágoras, Estácio, do Rio, e SEB, proprietária do COC. Foram eles os responsáveis por quase todas as aquisições.

"Além de terem mais dinheiro, porque captaram recursos com venda das ações, a aquisição de novas unidades e o crescimento fazem parte do compromisso assumido durante a abertura de capital", diz o sócio da KPMG e responsável pela pesquisa, Luís Motta. Os quatro grupos educacionais juntos têm quase 800 mil do total de 3,4 milhões de alunos do ensino superior privado - 23,5%.

Um mercado mais concentrado deve ser a principal característica do setor daqui para frente, garantem especialistas. A expectativa da KPMG é de que aumentem as aquisições até o fim do ano. Recentemente, foi divulgada uma proposta pela compra da Universidade Paulista (Unip), mas o negócio não foi fechado.

O ensino superior privado teve um crescimento de 184% em dez anos no número de instituições. As vagas acabaram aumentando mais que a quantidade de alunos dispostos a cursar universidade. E o setor mergulhou numa busca ferrenha por estudantes; a concorrência tem feito instituições pequenas, como as Faculdades Associadas de São Paulo (Fasp), fecharem as portas.

No outro extremo, os grandes grupos se fortalecem. A Anhanguera já aumentou de 17 para 47 unidades. Em cinco anos, o objetivo é chegar a mais de cem."As pequenas faculdades não têm escala para um custo competitivo", diz o vice-presidente de operações do Grupo Pátria, acionista da Anhanguera, Ricardo Scavazza.

Os cerca de 300 cursos oferecidos em dezenas de cidades pelo grupo têm mensalidade média de R$ 400, bem abaixo do mercado. Além disso, os alunos podem comprar livros por preços 20% inferiores, já que a Anhanguera faz acordos com editoras para que produzam exemplares apenas para seus estudantes.

A estimativa é chegar a 1 milhão de exemplares vendidos aos alunos - um negócio atrativo para editoras, que uma faculdade pequena não conseguiria oferecer. Universidades com mais alunos e mais dinheiro também conseguem contratar professores com melhor formação, que recebem salários mais altos. E equipar melhor seus laboratórios e bibliotecas, já que compram produtos em maior quantidade e conseguem preços mais baixos.

No entanto, há educadores que fazem ressalvas a esse movimento, porque acreditam que a educação não pode ser vista como um negócio. Para a especialista da Universidade de Brasília Regina Vinhais, as instituições com capital aberto oferecem cursos segundo as demandas de mercado, e não conforme necessidades da sociedade brasileira.

Não existe legislação específica para negócios na área de educação no País. No caso das fusões e aquisições, as instituições estão sujeitas à lei de concorrência, como qualquer outra empresa. Para abrir o capital, no entanto, a instituição deve se tornar uma Sociedade Anônima (S.A.), portanto, com fins lucrativos. Hoje, 439 das 2.022 existentes no País são filantrópicas, comunitárias ou confessionais (sem fins lucrativos).

Também não há lei que impeça a entrada de capital estrangeiro na educação. Mais de 50% das ações de universidades disponíveis na bolsa foram compradas por investidores de fora do País.

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