Apenas 15 das 65 ações que compõem o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fecharam em alta no mês de setembro. Segundo estudo da consultoria Economática, o setor de serviços detém a maior parte delas.

São sete: as ações ordinárias (ON) da TIM Participações (15,7%), a maior alta da Bolsa, seguidas pelos papéis preferenciais (PN) da operadora de telefonia móvel, com alta de 10%; logo depois aparecem Transmissão Paulista (8,1%); Cemig (6,8%); Telemar (6,3%); CPFL Energia (4,4%); Light S/A (3,4%). Na outra ponta, o pior resultado ficou com as ações ON da Cosan, que amargaram perda de 50% no mês.

O analista de investimentos da Coinvalores, Marco Saravalle, explica que as empresas de energia escaparam desta queda porque, além de serem prestadoras de um serviço essencial, elas são beneficiadas por períodos de inflação alta, pois o reajuste das tarifas é feito pelo Índice Geral dos Preços de Mercado (IGP-M). "As empresas de energia e de telecomunicações são empresas de um setor maduro e são vistas pelos investidores como apostas conservadores, porque sempre garantem algum retorno", avalia.

Alguns bancos também conseguiram ficar no terreno positivo. Nossa Caixa e Itaubanco subiram 3,8% no mês passado; Bradesco, 3,4%. Saravalle explica que os bancos brasileiros seguem regras rígidas de alavancagem, têm uma administração transparente e, por isso, também são considerados apostas conservadoras.

Maiores perdas

Exceto nestes segmentos, os reflexos da crise e a insegurança dos investidores bateram com força. O mau desempenho da Cosan é exemplo disso. O mercado desconfiou que a empresa tivesse perdido dinheiro com operações de derivativos de câmbio - a empresa se posicionava buscando ter lucro com a eventual manutenção da tendência de valorização do real ante o dólar, o que acabou não acontecendo devido ao agravamento da crise. A alta do dólar, que chegou a beirar os 18% em setembro, fez com estas operações resultassem em prejuízo.

A Cosan chegou a enviar comunicado ao mercado negando que tivesse operações deste tipo, o que não foi suficiente para evitar as perdas.

A segunda empresa com o pior resultado em setembro foi a Sadia. As ações PN da companhia desabaram 47,1%. Neste caso, as operações com derivativos de câmbio provocaram um estrago de R$ 760 milhões e a demissão do diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo da companhia, Adriano Lima Ferreira. Empresas brasileiras de alimentos com forte atuação em exportações normalmente atuam com derivativos de câmbio, buscando compensar eventuais perdas em receita nas exportações geradas pela valorização do real ante o dólar. Mas no caso da Sadia, as operações extrapolaram a proteção/segurança (hedge) que seria adequado.

A terceira maior queda na Bolsa no mês passado é da Rossi Residencial, com baixa de 46% para as ações ordinárias.

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