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Endividamento é igual ao pós-Natal

O nível de endividamento do consumidor atingiu em julho, mês em que não há fortes apelos de venda para comércio, a mesma marca de janeiro, período típico de ressaca do Natal, quando a população assume muitas dívidas. Neste mês, 53% dos paulistanos declaram estar endividados, ante 49% em junho, segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).

Agência Estado |

"É a primeira vez neste ano que o indicador de endividamento aumenta em relação ao mês anterior, e num mês atípico", observa a gerente da Assessoria Econômica da entidade, Fernanda Della Rosa. Na sua avaliação, o cenário exige cautela, apesar de o indicador de endividamento neste mês estar abaixo do registrado em julho do ano passado (57%).

Segundo a economista, os fatores que levam a um nível de endividamento maior são preocupantes. Ela destaca o aumento da inflação dos alimentos. Só o preço da carne subiu, em média, 9,08% no primeiro semestre, a inflação dos supermercados foi de 5,87% e das padarias, 9,88% no mesmo período, segundo o Índice de Preços no Varejo da Fecomércio. Com as despesas básicas crescentes, diz a Fernanda, sobrou menos dinheiro no bolso do consumidor para ir às compras. "O consumidor ampliou o endividamento para manter o seu padrão de consumo porque a renda é uma só. Além disso, ele não quer voltar ao passado."

A pesquisa mostra que o endividamento e a inadimplência de quem ganha até três salários (R$ 1.245) foram os que mais cresceram neste mês. O endividamento dos mais pobres atingiu 62% e a inadimplência, 49%. A inadimplência média de todos os estratos de renda subiu em julho pelo terceiro mês consecutivo sobre o período anterior. Neste mês, 35% dos paulistanos, em média, estão inadimplentes, ante 33% em junho e 31% em maio. Esse movimento revela que a tendência apontada pela Serasa - de alta de 6,1% do calote do consumidor no primeiro semestre deste ano ante igual período de 2007 - prossegue neste mês.

A cozinheira Madalena Mota, de 34 anos e mãe de um filho, retrata a situação atual do consumidor de menor renda. Com salário R$ 720, ela tem uma dívida pendente R$ 1.600 no carnê. "Comprei uma TV de 29 polegadas, mas não consegui pagar porque adoeci", diz ela.

Com o dinheiro contado, ela não consegue ter uma reserva para gastos extras com remédios. O saída é deixar de pagar o carnê. Apesar de endividada e sentindo no bolso o peso da inflação, Madalena não desiste. A partir do mês que vem vai gastar R$ 300 por 26 meses para comprar um terreno. "Se não for assim, a gente não consegue."

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