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A Vale disse que está buscando estabelecer uma nova política comercial com os seus clientes que envolva mais flexibilidade em relação aos preços do minério de ferro, tentando se adaptar ao mercado atual. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, após a publicação de reportagem do jornal Valor Econômico que detalhou como funcionaria o novo modelo comercial da empresa, a Vale disse que não enviou qualquer comunicado ao mercado de capitais sobre preços dos seus produtos, mas não comentou se a nova proposta teria sido enviada para seus clientes, como atestou o jornal.

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"(A Vale)...conforme documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e demais órgãos reguladores, já informou oficialmente que implementou nos últimos tempos uma nova política comercial, envolvendo, entre outras coisas, uma abordagem mais flexível com relação aos preços do minério de ferro, inclusive quanto a sua forma de venda (C&F, FOB)", disse a empresa.

"Flexibilidade esta plenamente aplicável aos mercados e clientes nas mais diversas geografias em que atua", acrescentou.

Segundo o comunicado, "tal política reflete a realidade de mercado e as necessidades específicas de cada cliente."

Na reportagem, o jornal informou que a Vale enviou neste mês a seus clientes um documento comunicando a adoção de um novo sistema de preços em substituição ao benchmark anual e uma nova tabela de preço para o minério de ferro com alta de mais de 100%, que passará a vigorar a partir do segundo trimestre do ano.

De acordo com o jornal, o preço do minério do tipo fino de Carajás, de maior teor de ferro, sobe para US$ 122,20 a tonelada FOB, um aumento de 114,38% sobre o preço de referência de US$ 57 a tonelada no ano passado, que ficará vigente entre abril e junho.

O novo sistema de preços seria o Iodex (IronOre Index), que passa a vigorar a partir de 1º de abril.

O "Valor" diz que teve acesso ao documento da Vale, no qual a mineradora explica que a nova tabela de preços foi elaborada tendo por base o valor de 125,90 dólares, a média da tonelada do minério no bimestre janeiro-fevereiro, calculada pela fórmula Índice Platts, que leva em consideração teor de 62% de ferro do minério e frete de US$ 18,58 a tonelada.

O valor Platts é calculado tendo como base o preço do minério no mercado à vista (spot) da China.

A Vale não forneceu quaisquer números ou percentuais para eventuais aumentos de preços, limitando-se a informar que "os resultados de seus esforços comerciais serão publicamente apresentados por ocasião da divulgação regular de nossas demonstrações trimestrais, nos termos da legislação em vigor."

De fato, executivos da Vale, como o diretor de Ferrosos José Carlos Martins, já haviam comentado que a empresa buscava um modelo mais flexível , mas nenhuma informação sobre como seria esse modelo foi divulgada até o momento pela companhia

Demanda chinesa

"O insaciável apetite por minério de ferro por parte da China criou um crescente mercado spot, que vem ganhando importância dia após dia", disse a Vale a seus clientes, segundo o "Valor".

As informações sobre um aumento do minério ainda maior que o esperado impulsionou as ações preferenciais da Vale, que por volta das 14h40 subiam 2,4%, para R$ 48,45, enquanto o índice da bolsa operava com leve alta, de 0,25%.

"Acho que isso é muito positivo para os produtores de minério de ferro. Isso é muito saudável para o mercado", disse a analista de metais Michelle Applebaum sobre a mudança para um preço com base no mercado.

Abuso

As mineradoras buscam acabar com o sistema de preços anuais referenciais (benchmark), afirmando que ele é menos relevante agora devido ao crescimento do mercado à vista e à rápida expansão do setor siderúrgico da China.

A criação de um sistema de preço com base em um índice ligado aos preços à vista pode representar o último suspiro do antigo sistema.

Na segunda-feira, a associação europeia da indústria siderúrgica, Eurofer, informou que pedirá aos reguladores antitruste da União Europeia para que avaliem se a Vale está abusando de sua posição dominante.

A Eurofer, cujos membros incluem ArcelorMittal e ThyssenKrupp, pode encaminhar reclamação formal à Comissão Europeia ainda esta semana, disse à Reuters o diretor geral da Eurofer, Gordon Moffat.

O jornal "Financial Times" também publicou na segunda-feira que as siderúrgicas japonesas e as mineradoras de minério de ferro alcançaram um acordo experimental para adotar contratos de curto prazo ligados ao mercado à vista, acabando com o antigo sistema referencial.

Anteriormente, siderúrgicas chinesas haviam reclamado de uma proposta apresentada pela Vale, segundo elas para um aumento de 90% a 100% no preço do minério.

Com os preços à vista do minério de ferro mais do que dobrando em relação ao ano passado, as maiores mineradoras do mundo estão pressionando as siderúrgicas a aceitarem um dos maiores aumentos anuais de preço na história.

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