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Equipamento de US$ 1,3 milhão, que deve entrar em funcionamento em setembro, vai diminuir fila para processamento de pesquisas

Congestionamento de artigos científicos. Com o crescimento na produção de pesquisas dos últimos anos, os cientistas da Unicamp passaram a enfrentar fila de espera para conseguir que computadores fizessem análises e cálculos de seus estudos, no Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Cenapad). Para resolver o problema, no mês de maio a Unicamp conseguiu comprar um novo supercomputador, com 37 teraflops (tflops) de capacidade de processamento. Segundo a coordenação do centro, a expectativa é que o equipamento passe a integrar o ranking Top 500, que reúne os maiores supercomputadores do mundo. A expectativa é que ele entre em operação em setembro.

Supercomputador em operação na Coreia do Sul: nova máquina da Unicamp poderá processar 37 trilhões de cálculos por segundo
Getty Images
Supercomputador em operação na Coreia do Sul: nova máquina da Unicamp poderá processar 37 trilhões de cálculos por segundo
Adquirido em 2004, o equipamento atual possui 1,5 tflops e em quatro anos já foram produzidos mais de 200 trabalhos de pesquisa. Contudo, o aumento de projetos inscritos no sistema gera congestionamento na fila de análise, dificultando a execução dos trabalhos. Maurice de Koning, professor do Instituto de Física da Unicamp, usa o atual supercomputador desde sua aquisição e reclama do tempo de espera para dar andamento aos processos. “Não haveria como fazer minha pesquisa sem o auxílio de uma máquina com grande capacidade, mas na atual os projetos demoram até duas semanas para entrar em processamento”, diz.

Diante do problema, o Cenapad-Unicamp intermediou a aquisição do novo supercomputador. Foram convidados fabricantes com capacidade de processamento a partir de 22 tflops (cada teraflop representa um trilhão de cálculos por segundo). A IBM ofereceu uma máquina de 37 tflops a um preço abaixo do oficial e a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) financiou o investimento.

A máquina tem 1.280 nós de processadores Power 7, custou US$ 1,35 milhão e multiplicará por 25 a atual capacidade de processamento da universidade. "O preço desse supercomputador no mercado é muito maior”, diz Edison Zacarias da Silva, coordenador do centro. “A oferta da IBM foi uma parceria.”

Tecnologia com uso restrito

O acesso à computação de grande porte é restrito aos pesquisadores vinculados a instituições de pesquisa e que tenham seus projetos validados pela coordenação do Cenapad. Ao serem incluídos na lista de usuários, os profissionais recebem créditos para o uso computacional durante determinado período, estabelecido pela coordenação do centro após estudo da proposta apresentada. Periodicamente, os usuários fazem relatórios sobre o andamento de sua pesquisa e, caso haja necessidade, mais créditos podem ser liberados para a conclusão do estudo.

Após a análise dos processos no supercomputador, que pode durar até cinco meses, o usuário recebe um e-mail de aviso para que consulte os resultados obtidos. Silva diz que a nova máquina resolverá os problemas atuais já que tem, entre outros benefícios, mais memória. “Temos muita demanda reprimida. O novo equipamento atenderá a projetos mais sofisticados, fará a fila andar mais rapidamente e aumentará o número de usuários”, afirma.

Computadores preciosos

O supercomputador da Unicamp não é o único existente no País. Entre as máquinas em atuação, no entanto, apenas uma está na lista dos Top 500. É o Galileu, que ocupa o 86º lugar no ranking dos maiores supercomputadores do mundo. Ele pertence ao Núcleo de Atendimento em Computação de Alto Desempenho (NACAD) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O equipamento tem 11,2 gigaflops de capacidade.

A grande potência das supermáquinas auxilia pesquisadores de diversas localidades. Na Unicamp, o atendimento é feito em grande escala e por meio de conexões em rede. “Trezentos profissionais de diversos lugares do País estão cadastrados e, por meio da conexão com o computador central, transferem dados e visualizam resultados dos projetos”, afirma Silva.

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