Parceria entre USP e Petrobras, laboratório simula as condições do mar e avalia o impacto das ondas sobre as plataformas

O que aconteceria caso uma série de ondas gigantes atingisse uma das plataformas para exploração do pré-sal? E se, em vez de ondas, fosse um furacão? Seria possível recuperar uma embarcação avariada, em meio às condições mais adversas no oceano? Quem responde a essas e a outras perguntas sobre o impacto das condições de mar sobre a exploração de petróleo no País é o Tanque de Provas Físico (TPF), instalado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP).

nullInaugurado em dezembro, o tanque é resultado de uma parceria entre a Poli/USP e a Petrobras. Também conhecido pelos pesquisadores como Calibrador Hidrodinâmico, o TPF realiza testes que avaliam o impacto de diferentes tipos de ondas sobre embarcações e plataformas para exploração de petróleo.

O tanque analisa, segundo Andre Fujarra, coordenador do TPF, quatro situações nas quais as ondas podem causar estragos. A primeira é o comportamento das estruturas: resistência do material, estabilidade e distribuição de peso, entre outros. A operação e instalação de sistemas submarinos, a avaliação da reação simultânea de embarcações próximas e as condições de embarcações avariadas são os outros tipos de análise realizadas no laboratório. Os ensaios calculam, por exemplo, se há algum risco de o navio se desestabilizar e até mesmo emborcar. Também são testados os níveis de amortecimento e os períodos naturais de oscilação no mar.

O tanque utiliza modelos em escalas reduzidas, mas fiéis às medidas reais. Para os primeiros testes, foi montada a estrutura equivalente a uma plataforma de 270 mil toneladas com produção de 100 mil barris/dia e capacidade de armazenamento de 800 mil barris. “Este modelo de plataforma, que ainda está sendo testado pela Petrobras, se encaixa às necessidades de explorar o pré-sal, já que, entre outras características, permite o armazenamento de grandes quantidades de óleo”, diz Fujarra.

Engenheiro e pesquisador da Petrobras, Marcos Donato acrescenta que o tanque de provas foi desenvolvido de acordo com as condições de mar das bacias de Campos e Santos. Porém, apesar de não testar correntes submarinas, o laboratório tem capacidade para replicar até mesmo situações observadas no Mar do Norte, onde plataformas e embarcações são expostas a condições mais rigorosas do que as observadas por aqui.

Primeiros testes serão feitos em abril

Os primeiros testes no Tanque de Provas Físico devem acontecer em abril. Até lá, serão instalados alguns itens como uma espécie de passarela sobre o tanque, que permitirá ajustes nos modelos sem a necessidade de se mergulhar ou de se usar um pequeno bote inflável.

Além disso, durante este período, o próprio sistema do TPF estará sendo testado para que se possa avaliar sua capacidade de gerar números e resultados confiáveis. “Vamos observar se o projeto que fizemos para o tanque gera as ondas da forma como planejamos”, diz Fujarra. “É também o momento de fazer o ajuste fino em todos os softwares.”

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