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Tente jogar seu celular no lixo

País ainda não consegue dar a destinação correta ao lixo eletrônico

Ernesto Cavasin Neto, especial para o iG |

Recentemente estava na casa de meus pais e, ao abrir um armário, me deparei com uma cena “normal” em muitas residências e empresas. Havia uma série de telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos, como computadores de mão e agendas eletrônicas, guardados. Todos em completo desuso por estarem quebrados ou ultrapassados. Esses equipamentos possuem componentes que trazem impactos ao meio ambiente e até à saúde humana.Ou seja, descartá-los de forma adequada é necessário. Mas onde?

Divulgação
Ernesto Cavasin Neto
No meu caso foi fácil até agora; se o celular quebrar, é só guardar na casa dos pais. Contudo, vamos imaginar algo em maior escala. Quantos computadores, telefones e outros eletrônicos são colocados em desuso por uma empresa por ano? Quantas baterias com compostos químicos perigosos são descartadas indevidamente?

Para se ter idéia desse número, precisamos somente de alguns dados de mercado. No Brasil, são comercializados mais de 12 milhões de computadores por ano e a estimativa é de que 1 milhão de unidades são colocadas “fora de uso” no mesmo período. Segundo a Anatel, em fevereiro desse ano, alcançamos o número de 176 milhões de linhas de telefone celular, ou seja, 176 milhões de aparelhos. Como um celular tem uma vida média de dois a três anos, não é difícil calcular a multiplicação desse lixo eletrônico.

Recentemente, algumas leis foram criadas para lidar com o assunto; uma delas no estado de São Paulo, onde a Lei 13.576/09 institui normas para reciclagem, gerenciamento e destinação final do lixo tecnológico.

Apesar disso, a maior parte dos resíduos eletrônicos continua sem solução e sem direção. Conversando com alguns profissionais que lidam com as áreas de meio ambiente e tecnologia da informação em empresas de grande e médio porte descobri que esse é, sim, um problema. Ou seja, o “armário” de algumas empresas já está lotado. Uma solução plausível ainda não foi encontrada. Ao analisar os custos e opções de tratamento apropriado desses equipamentos, vem a surpresa: não há alternativas razoáveis. Algumas ONGs especializadas em inclusão digital estão aptas a reciclar parte desses equipamentos, mas não garantem a vazão necessária para o volume de lixo eletrônico criado anualmente.

Muito se fala em TI Verde nas empresas desde o último ano. Sem dúvida, TI é uma ferramenta indispensável para as empresas na busca de melhor eficiência e governança. Decisões acertadas de investimentos em tecnologia podem, sem dúvida, trazer impactos positivos ao meio ambiente. Contudo, o conceito de TI Verde precisa evoluir e começar a entender seus impactos em todo ciclo de vida dos equipamentos. Precisamos direcionar nossa busca ao conceito mais amplo, o de TI Sustentável.

 

Ernesto Cavasin Neto, especialista em sustentabilidade empresarial, é gerente executivo da PricewaterhouseCoopers e membro do Conselho da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono
 

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