A maior feira do setor de franquias da América Latina, que termina neste sábado e contou com a participação de 300 redes, mostrou que a diversificação do setor tem ganhado força. Franquias de coleta de cordão umbilical, venda de lixeiras próprias para reciclagem, manutenção de jardim e cuidados com cachorros foram alguns dos modelos de negócios que estrelaram o evento.
Banco de células-tronco: franquia especializada na coleta de cordões umbilicais já tem 50 unidades vendidas no Brasil e deve dobrar esse número até o fim do ano
A diversificação no Brasil segue a tendência do setor no mundo. Alguns países da Europa, por exemplo, possuem franquias até para quem deseja alugar flores para uma festa. Além disso, é muito mais fácil terceirizar os custos de um negócio para poder expandi-lo, afirma Ricardo Camargo, diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF). “As empresas, para se capitalizar, estão percebendo que atuar no segmento de franquias é vantajoso e o retorno é rápido”, disse.
Em 2009, mais de 260 novas redes de franquias foram lançadas no Brasil. A Cursos Mais Interativos foi uma delas. A rede atua no segmento mais antigo da indústria brasileira de franquias, o de educação. Assim para se diferenciar da concorrência, oferece cursos profissionalizantes a partir de R$ 50, sem a presença de um professor na sala de aula ou formação obrigatória de turma.
A rede, que existe desde 2006, entrou no segmento de franquias em agosto do ano passado e atualmente possui 45 unidades vendidas - dessas, 17 já estão em atuação. “Desde a inauguração, sabíamos que teríamos que replicar nosso negócio vendendo franquias”, disse Ana Maria Amaral, executiva da rede. A Cursos Mais Interativos possui unidades na Bahia, São Paulo, Goiás, Acre e Rondônia e se prepara para entrar em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Recife.
A rede mexicana Banco de Cordão Umbilical, maior de coleta de células-tronco no mundo, existe há 11 anos, mas só chegou ao Brasil em 2008. Desde então, tem se expandido pelo País por meio de franquias. Sidney Kaláes, sócio-diretor da rede no Brasil, já trabalhava no ramo quando conheceu o banco. “Não existe nada parecido no Brasil, e por isso nossa expansão tem sendo rápida. Já temos 50 unidades vendidas. Até o final do ano serão 100”, afirmou.
Mesmo sendo um segmento muito específico, Kaláes afirma que não precisa ser especialista no assunto para adquirir uma franquia do BCU. Na hora da seleção dos interessados, a preferência tem sido dada para quem não é médico. “Normalmente, os médicos não têm muito tempo para se dedicar ao negócio”, disse.
Prestação de serviço avança
O setor de serviço é outro ramo que vem aproveitando o segmento das franquias para expandir sua atuação no mercado brasileiro. Normalmente, são redes que requerem investimentos baixos e se enquadram no segmento de microfranquias. “São franquias com custo máximo de R$ 50 mil. Isso desperta a atenção de muitas pessoas”, afirma Camargo.
Artur Hipólito, ex-executivo de uma das maiores franqueadoras do Brasil, percebeu nesse nicho a oportunidade de ser dono do seu próprio negócio. Em 2008, com a ajuda um sócio, ele criou o grupo Zaiom, que atualmente possui sete diferentes redes de franquias e 350 unidades distribuídas em todo o Brasil.
A Tutores, rede de reforço escolar multidisciplinar, foi a primeira a ser lançada pelo grupo. Depois vieram Dr. Faz Tudo (rede especializada em reforma rápida de imóveis), Home Angels (voltada para cuidados a idosos), Amigo Computador (serviços de manutenção local de computadores), The System (desenvolvimento de site para pequenas empresas), Dog Relax (prestadoras de serviços para animais) e, por fim, a Dr. Jardim, de conservação de áreas verdes e piscinas.
Todas as redes requerem investimentos de no máximo R$ 20 mil e não necessitam de um ponto comercial para poderem atuar. “Queremos dar oportunidades para as pessoas serem donas de seu próprio negócio e, com isso, aumentarem também sua renda”, afirmou Hipólito.
Apesar da diversificação, setores tradicionais, como vestuário, acessórios e calçados, não deixam de se destacar no último ano. O segmento de franquias que mais cresceu em 2009 foi o de acessórios pessoais e calçados, com alta de 41,2% em relação ao ano anterior. Vestuário também se destacou, com um aumento de mais de 37%.
No último ano, o setor registrou um faturamento de R$ 63 bilhões, o que representou um crescimento de 14,7% em relação a 2008. Este ano, espera-se um crescimento entre 15% e 16% no faturamento. O número de unidades de redes franqueadas saltou de 71,9 mil para 79,9 mil.
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