Com ou sem a aprovação do Congresso Nacional, a Petrobras planeja levantar de US$ 15 bilhões a US$ 25 bilhões neste ano para fazer frente a seus pesados investimentos. O presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, afirmou que o valor é necessário para que a empresa mantenha um nível de alavancagem seguro, sem ficar exposta a um endividamento elevado, além da sua capacidade de geração de caixa.

Após participar do lançamento do programa de patrocínio da Petrobras a projetos sociais, na sede da empresa, Gabrielli disse que a capitalização deve ocorrer ainda no primeiro semestre. Pela proposta do governo, que ainda depende de aprovação no Senado, o valor da capitalização tende a acompanhar os ganhos com a produção futura de petróleo em virtude das descobertas do pré-sal.

O valor da operação dependerá, portanto, do preço do petróleo, considerando o lastro de 5 bilhões de barris de óleo previsto no Projeto de Lei. Trata-se de uma antecipação de parte das reservas do pré-sal cedida pela União à estatal, para que a empresa tenha condições de investir na nova província. 

Gabrielli indicou que poderá trabalhar com um plano B, caso os parlamentares não aprovem a medida. A empresa planeja investir de US$ 200 a US$ 220 bilhões de 2010 a 2014. Para não extrapolar 35% de endividamento em relação ao patrimônio (conhecido como índice de alavancagem), a empresa precisará dos recursos.

Em nota ao mercado, a companhia reitera que considera como premissa a realização da capitalização no primeiro semestre para "viabilizar o financiamento de parte dos investimentos previstos para o ano de 2010, no valor de R$ 88,5 bilhões, sem comprometer o nível de alavancagem líquida máximo de 35% estabelecido pelo Conselho de Administração".

A Petrobras abriu inscrições hoje para o programa "Seleção Pública 2010 do Programa Desenvolvimento e Cidadania". A empresa investirá neste ano R$ 110 milhões em projetos sociais com foco em geração de renda, educação, qualificação profissional e garantia dos direitos da criança e do adolescente. Gabrielli lembrou que esta é mais uma etapa do programa que, lançado em 2007, já apoiou iniciativas sociais com R$ 395 milhões. O executivo disse que o programa vai beneficiar 18 milhões de pessoas em três anos.

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