A Petrobras vai pesquisar a adição de biodiesel ao combustível usado por navios, conhecido no mercado pelo nome de bunker de navegação. O objetivo é tentar reduzir as emissões de gases poluentes do produto, que deve ter grande crescimento de consumo no Brasil nos próximos anos.

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A pesquisa é um dos focos do laboratório Bunker 1, fruto de parceria da Petrobras com a Coppe/UFRJ, que será inaugurado nesta quarta-feira. Com investimento inicial de R$ 6,7 milhões, o laboratório vai buscar novas tecnologias para a produção de bunker, com foco na eficiência de queima do combustível e nas emissões de gases poluentes.

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Laboratório ampliará pesquisa em combustíveis

Uma segunda etapa, orçada em R$ 5,9 milhões, já foi aprovada, com a compra de um segundo motor para testes de combustível. O primeiro, um motor alemão da MAN, com potência de 500 quilowatts (kW), já está na Coppe para a primeira fase do laboratório Bunker.

O bunker é um óleo combustível pesado, usado apenas em motores de baixa rotação. Segundo o coordenador do Laboratório de Máquinas Térmicas da Coppe, Albino Leiroz, apresenta dificuldades de queima e altas emissões, problemas que o laboratório espera reduzir. Ele diz que o objetivo é aumentar a eficiência do bunker produzido pelas refinarias brasileiras.

"Temos um grupo temático de estudos sobre combustíveis, com projetos na área de automóveis e motocicletas, por exemplo, mas percebemos que não havia conhecimento na área de bunker no Brasil", completa o pesquisador do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), Tadeu Cordeiro. "O Brasil é líder mundial em biocombustíveis e esse laboratório vai permitir a pesquisa de adição de biocombustíveis ao óleo combustível", completa.

O uso de biocombustíveis, diz, pode ser uma maneira de reduzir as emissões de fuligem na queima do bunker, melhorando a qualidade do ar no entorno dos portos brasileiros. A Petrobras espera grande crescimento no consumo do produto, diante das encomendas de novos navios para o transporte de petróleo no País. "A frota de petroleiros está crescendo bastante, com as encomendas da Transpetro", diz Cordeiro.

Segundo Leiroz, da Coppe, o laboratório deve iniciar os testes em cinco meses. Antes disso, os pesquisadores vão trabalhar na preparação dos testes. "Trata-se de uma operação complicada, que envolve estocagem de combustíveis, operação de bombas e válvulas", comenta o professor.

Pesquisa

O investimento tem sido bancado com recursos da participação especial cobrada dos grandes campos produtores de petróleo. Segundo a lei, 1% dessa arrecadação deve ser destinada a pesquisa e desenvolvimento, medida que tem possibilitado a abertura de inúmeros laboratórios de pesquisa pelo País - e iniciativas como a criação do Parque Tecnológico da UFRJ, que vai desenvolver pesquisas sobre o pré-sal.

Petrobras e Coppe já assinaram um primeiro convênio para a operação do laboratório de bunker, ao custo de R$ 1,9 milhão e prazo de dois anos. O laboratório contará com dois professores, três engenheiros, seis técnicos e entre seis e dez alunos de pós-graduação do instituto, hoje reconhecido como um dos principais parceiros da Petrobras no desenvolvimento de novas tecnologias para a indústria petrolífera.

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